Pretendia estender até a Bósnia esta viagem que estou realizando à Croácia. No entanto, são tantas as informações que aqui vou recebendo que a ida a Sarajevo vai ficar para outra oportunidade. Deixa-nos impressionado ver o desenvolvimento de um país que nas duas últimas décadas teve que passar por dois grandes desafios: sair do regime comunista para o capitalista e enfentar uma guerra fratricida com os sérvios para conquistar a sua independência. Guerra que os croatas não gostam de falar, para não revelarem o ódio que sentem pelos sérvios. E não é para menos. O sofrimento foi grande. Dona Ana, uma senhora, de cerca de 65 anos, proprietária de um pequeno hotel em que nos hospedamos em Sukozana, nas cercanias de Zadar, foi uma das poucas pessoas a abrir o coração e contar um pouco do que passaram. Disse que a cidade ficou quase dois anos sem água e sem luz e sem gás. A água tiveram que guardar da chuva para se abastecerem e o aquecimento era feito com lenha. Durante este período a cidade foi alvo de bombardeios intensos, cujas marcas ainda estão em diversos prédios da cidade e de outras adjacentes, conforme deu para ver durante o trajeto. Dona Ana conta que o desespero era maior porque os moradores sentiam que o exército croata era fraco, não tinha condições de enfrentar o forte exército adversário, formado por contingentes da Sérvia, Montenegro e do Leste da Bósnia e que estabelecera o controle sobre as montanhas que se estendem ao longo da costa da Dalmácia. Muitos moradores de Zadar, assim de diversas outras cidades, perderam seus filhos, que tiveram que mandar para a frente de batalha, na tentativa de minimizar os problemas das cidades.
Passado o sufoco da guerra, que só terminou em 1995, quando os croatas, sem nenhuma ajuda externa recuperaram a região da Eslavônia, veio o desafio de colocar o país no rumo do crescimento. Velhas e deficitárias indústrias dos tempos do comunismo foram fechadas e o país passou a apostar no turismo, na produção de lenha, de cítricos e de mel, além de serviços. Conseguiu neste tempo montar uma excelente rede hoteleira, assim como uma excelente rede de rodovias. Esta com o diferencial oferecer sempre duas opções: a auto-estrada pedagiada e a via alternativa, sem pedágio, mas em ótimas condições. Algo de dar inveja para nós brasileiros.
Hoje, este país que tem 4,5 milhões de habitantes (metade do RS) e que tem uma área territorial de 56 mil quilômetros quadrados (uma quarta parte do RS) e que é a segunda economia dos Bálcãs, ficando atrás apenas da Grécia, se prepara para, a partir de 2011, fazer parte da União Européia, que é o grande sonho dos países do Leste europeu.