O Brasil segue insistindo na mediação da questão nuclear do Irã. Está hoje aqui no país o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o japonês Yukiya Amano, que terá encontros com o chanceler Celso Amorim. Pois o nosso chanceler quer aproveitar a oportunidade para buscar a ajuda de Amano e conseguir um acordo entre o Irã e o Ocidente.
A questão é a seguinte. Os dois lados estiveram próximos de um acordo, o qual estabelecia que o urânio pouco enriquecido do urânio, a 3%, seria encaminhado para um outro país, que poderia ser França ou Rússia, para ser enriquecido a 20%, que é o que se precisa para uso medicinal e para geração de energia. Ou seja, com isto, o Ocidente teria a certeza que o urânio do Irã não seria enriquecido a 90%, que é o que se precisa para a bomba atômica. O Irã concordou com a proposta, mas exigiu o recebimento do urânio a 20% no mesmo momento em que entregasse o seu de 3%. Isto gerou impasse e o acordo parou.
Agora Amorim está sugerindo uma solução intermediária. Que o urânio empobrecido do Irã fique num terceiro país, no caso a Turquia, sob supervisão da AIEA, até que o urânio enriquecido ficasse pronto e pudesse haver a troca simultânea. Esta solução estaria atendendo às exigências de EUA e aliados, que temem que o urânio de baixo enriquecimento nas mãos do Irã seja usado para fins bélicos, quanto as desconfianças de Teerã, que teme entregar o material e não recebê-lo de volta.
Se Amorim conseguir êxito em sua tarefa,consagrará o Brasil como mediador.