A Rússia está tentando identificar os autores intelectuais dos dois atentados desta segunda-feira contra o metrô de Moscou. Câmeras de vídeo já teriam identificado as mulheres que explodiram junto com as bombas que portavam. Mas há uma dúvida atrós. Refere-se a saber se as mulheres que portavam as bombas eram terroristas preparadas para tal, ou apenas mulas, que levaram os artefatos sem saber, os quais foram detonados através de celular. Tampouco há informações concretas até agora sobre o grupo que perpetrou os atentados. Para o chanceler russo Serguei Lavrov, a origem do ato está no Afeganistão e por trás está a Al Qaeda. Curioso que nenhuma autoridade russa mencionou como supostos autores os rebeldes da Tchechênia, que tem sido os executantes dos principais atentados ocorridos nos últimos tempos na Rússia. Assim já o foi contra o próprio metrô de Moscou, em agosto de 2004, com dez mortos; contra o Teatro Dobrovska, em Moscou, em outubro de 2002. Na ação de retomada do teatro, a polícia russa matou 118 reféns e mais 30 terroristas. Em setembro de 2004, tivemos o ataque do terror a uma escola em Beslan, na província da Ossétia do Norte. Na ação de retomada foram 350 pessoas mortas, envolvendo não só os terroristas, mas também pais dos estudantes, professores, etc. Foram 150 crianças mortas.
Enfim, há uma série de atentados praticados pelos tchechenos. Assim, para um leigo, o mais racional é supor que os tchechenos, que não tiveram atendido o movimento por independência, estejam por trás desses atos. Mas o governo russo parece não pensar assim. Ou, não querer pensar assim.
PENA DE MORTE
A Câmara Alta do Parlamento russo estuda propor emendas para estipular a pena de morte aos organizadores de ataques terroristas que resultem em múltiplas mortes, afirmou o presidente do Conselho Federal do Comitê de Assuntos Legais e Jurídicos, Anatoly Lyskov, citado pela agência de notícias Ria Novosti. “Esta é a nossa reação à tragédia de ontem em Moscou”, afirmou Lyskov. Lyskov disse que o comitê já trabalha no rascunho da emenda que introduziria a pena de morte aos terroristas, em vez do limite máximo de prisão perpétua válido atualmente.
A mudança na pena, seguramente, não vai alterar a situação. Hoje em dia, os executores dos atentados terroristas já sabem de antemão que vão morrer. Levam uma lavagem cerebral e se transformam em suicidas. Os autores intelectuais também sabem que estão com a sua cabeça a prêmio. Apostam, no entanto, na sua ação clandestina para sobreviver. Como Bin Laden, por exemplo, que até agora não foi pego.
Então, não é na ação contra os autores intelectuais dos atentados que a situação vai se resolver. O que é preciso é a ação contra as causas do terrorismo. E esta precisa ser muito forte, porque está se lidando com fanáticos. Não dar motivo aos fanáticos é o primeiro passo. E nesse quesito a Rússia tem pecado constantemente. Não dar motivo significa negociar, buscar um acordo, o que passa por concessões. Nada disto a Rússia na Tchechênia ou no norte do Cáucaso, origem dos atos de terror. Ao manter aquelas populações atreladas ao Estado russo pela força das armas, Moscou poderá fuzilar alguns terroristas, mas estarão sempre surgindo outros.