Hoje é dia de grandes comemorações na Venezuela. O país está completando o bicentenário da independência. E, como não poderia deixar de ser, o presidente Hugo Chávez convocou o povo para saudar o feito e, muito especialmente, a figura de Simón Bolívar, o libertador. Aquele que tem servido de base para todo o proselitismo de Hugo Chávez. Aliás, os meios de comunicação oficiais se esmeram em ressaltar que a data marca o começo da luta pela soberania da Venezuela, a qual só está se completando agora com a “Revolução Bolivariana”.
Chávez tem feito de tudo para ligar a sua imagem à de Bolívar. Segundo historiador e antropólogo venezuelano Fernando Coronil, professor da Universidade da Cidade de Nova York, a busca de ligação com figurar históricas é uma prática dos governos esquerdistas da América Latina. Não só de Chávez, mas também de Evo Morales, na Bolívia, de Cristina Kirchner na Argentina, etc. Diz ele que “esta reiteração de heróis do passado ocorre porque há uma crise no futuro. Nenhum sistema oferece um futuro confiável, viável.
A prática está comprovando. Chávez comemora o bicentenário da Venezuela com o país tendo a mais alta inflação da América Latina, atravessando a pior crise de sua história em termos de falta de água e de luz e, por conseguinte, de energia, e profundamente dividido em termos políticos. Sem contar a falta de liberdades básicas. Ou seja, há pouco a comemorar.