A Argentina voltou a viver uma disputa entre a presidente Cristina Kirchner e o vice-presidente Julio Cobos. Vale lembrar que, em meados de 2008, o Senado votava uma controversa medida do governo de Cristina Kirchner, que aumentava as taxas sobre os produtos agrícolas exportados. Houve empate na votação e coube a Cobos o voto de Minerva. Ele votou contra o governo e a favor do setor produtivo rural. Esta semana, novo round foi travado, depois de o governo ter enviado para aprovação do Senado um imposto sobre o cheque. A presidente chamou Cobos de “croupier”, por ter votado com a oposição, que alterou o projeto de imposto sobre o cheque enviado pelo governo. O vice criticou a atitude do governo e disse que este deveria se preocupar é com a inflação e com a corrupção. Foi o suficiente para que Cristina pedisse que o seu vice renunciasse, no que foi secundada por diversos membros do gabinete. Cobos respondeu dizendo que não negocia a dignidade e que vai continuar dizendo o que pensa. “Não vou me calar”, salientou.
Como se observa, a disputa na Argentina entre a presidente e o vice está pior do que a nossa aqui, entre a governadora e seu vice.
VENEZUELA
As celebrações do bicentenário da Venezuela, ontem em Caracas, possibilitaram a reunião de um elenco marcante de governantes da América Latina: as chamadas lideranças bolivarianas. O anfitrião Hugo Chávez recebeu o cubano Raúl Castro, o nicaraguense Daniel Ortega, o boliviano Evo Morales, o dominicano Roosevelt Skerry e a argentina Cristina Kirchner, que foi o oradora em nome dos visitantes. O elenco não poderia ser mais significativo, pois simplesmente representa o atraso na América Latina. Não é sem razão que o jornal La Nación, de Buenos Aires, está lamentando na sua edição de hoje o fato de a presidente do país estar não só incluída nessa mesma roda, como ainda tendo deferência especial de ser a oradora que representa todo o grupo. O jornal criticou o fato de Cristina, em seu discurso, falar em liberdades, num país em que o Legislativo está em poder do Executivo e a liberdade de imprensa é limitada. E lamentou o fato de Cristina estar cada vez mais ligada a Chávez. Não é sem razão, também, que os dois países são os campeões de inflação na América Latina e os que mais afugentam os investidores internacionais.