A defesa do Irã segue sendo um tema perseguido pela diplomacia brasileira. De ontem para hoje, mais duas manifestações fortes. Hoje foi o presidente Lula que, ao receber o presidente do Líbano Michel Suleiman no Itamaraty, disse que a paz no Oriente Médio passa pela questão nuclear do Irã. O que não deixa de ser verdade. Antes disto, no entanto, o chanceler Celso Amorim deu um grande escorregão, chamando de covardes e inapetentes os países envolvidos em negociar a aplicação de sanções ao Irã.
Lula tem a pretensão de querer ser um negociador da paz para o Oriente Médio, o que envolve a questão entre israelenses e palestinos. Doce ilusão. Nem os EUA, que tem poder de persuasão sobre Israel, nem a Rússia e nem a Europa conseguiram alguma coisa até agora e não será Lula que irá mudar esse quadro.
Quanto ao pronunciamento de Amorim, este pode ter consequências negativas para o Brasil, pois ele arrolou como covardes os líderes de países como EUA, Alemanha, Rússia e Japão, entre outros, que estão negociando a aplicação de sanções ao Irã. Amorim diz não querer ver repetir-se uma tragédia como a guerra do Iraque. Pois o que precisa fazer então é convencer os iranianos a abrirem o seu programa nuclear à inspeção da ONU. Daí não haverá invasão. O problema, no entanto, é convencer Ahmadinejad a aceitar a proposta. E é isto que Amorim e Lula precisam fazer, se quiserem continuar defendendo o país dos aiatolás.