O presidente Lula vai se encontrar com o presidente do Paraguai Fernando Lugo, na próxima segunda-feira, para discutirem questões que envolvem as ações do narcotráfico na fronteira entre os dois países, a atuação da guerrilha do Exército do Povo Paraguaio e a construção de uma linha de transmissão de energia de Itaipu para Assunção. Lugo viu-se obrigado a decretar estado de emergência em cinco departamentos do país, por causa dos sequestros e das mortes provocadas pelo EPP e, ao mesmo tempo, viu um senador do país, Robert Acevedo, escapar por pouco de um atentado atribuído ao PCC, ou seja, ao brasileiro Primeiro Comando da Capital. Atentado este ocorrido na cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira seca com a brasileira Ponta Porã. Como aqui em Livramento e Rivera, apenas uma avenida separa as duas cidades. Urge, portanto, uma ação conjunta. Aliás, sigilosamente, o Brasil já havia atuado junto com o Paraguai. Mais especificamente, no episódio que envolveu o sequestro do empresário rural Fidel Zavala, em outubro do ano passado. À pedido do governo paraguaio, o Brasil enviou homens e equipamentos com o objetivo de rastrear o local do cativeiro e os responsáveis pelo sequestro. Houve o pagamento do resgate e Zavala foi libertado 94 dias depois, em 10 de janeiro último.
Agora, os presidente vão dialogar sobre novas ações conjuntas, não só contra o EPP mas também contra o PCC. Algo que não será fácil. Ainda mais que há fortes acusações no Paraguai de que Lugo é leniente com o EPP, porque mantinha ligações com o grupo ao tempo em que era bispo. Fica a indagação: será que no Paraguai até o posicionamento do presidente é falso?
ATUAÇÃO DAS TROPAS
Depois de decretar estado de emergência em cinco departamentos do país, por causa da atuação do EPP, Exército do Povo Paraguaio, o presidente Fernando Lugo decidiu enviar tropas para a região. As duas ações do EPP foram o sequestro do empresário rural Fidel Zavala e a morte de um policial e três civis na quarta-feira da semana passada. Segundo os informes, o EPP é treinado pelas Farc, as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas, e entre os seus plano estaria o estabelecimento de bases no Brasil. O seu meio de subsistência é a extorsão, como o sequestro de Zavala, cujo resgate deve ter rendido um bom dinheiro, e a proteção ao narcotráfico. O objetivo do grupo seria lutar pela reforma agrária no país. Bem, reforma agrária se discute é no parlamento, não na ponta da arma. E o número de integrantes do EPP, segundo os informes, é ridículo. Não passaria de 60 integrantes. Então, o exército regular paraguaio só não acaba com o grupo guerrilheiro se não quiser. Ou se, como dizem os opositores, não tem esta intenção pela ligação do presidente Lugo com o grupo ao tempo em que era bispo.