A Tailândia vem sendo sacudida há dias por protestos antigovernamentais, que já deixaram mais de 30 mortos, tendo os opositores apelado à ONU para fazer a mediação do conflito. Neste conflito estão, de um lado, os camisas amarelas, fiéis ao primeiro-ministro Abhist Vejjajiva. Um agrupamento informal de monarquistas, empresários e classe média urbana. Autodenominam-se Aliança do Povo pela Democracia. De outro, estão os camisas vermelhas, partidários do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, um milionário da área da comunicação, populista, que tem o apoio da maioria do norte e do nordeste rurais do país. Ele fora derrubado, em 2006, porque seu governo descontentava as elites urbanas, a classe média e entidades pró-democracia, que o acusavam de corrupção, abuso de poder e aparelhamento de estado.
Em março, no entanto, começaram protestos contra o atual governo. Cerca de 10 mil manifestantes chegaram a Bangcoc. Procediam das áreas pobres rurais do norte do país e acusavam Abhisit de chegar ao poder por meio de manipulação da justiça e apoio militar. Logicamente, que toda uma mobilização financiada por Thaksin. Nas manifestações, até um general rebelde do exército levou um tiro na cabeça, o que serviu para acirrar mais os ânimos.
O resultado de tudo é uma ampliação da crise econômica, pois os distúrbios afetam um setor importante da economia do país que é o turismo. Afinal, a Tailândia se constitui no único país do Sudeste Asiático que nunca foi colonizado por uma potência européia. Trata-se de um reino milenar e tradicional. Em compensação, o país tem um histórico de golpes internos.