Depois de ter conseguido o dúbio acordo nuclear com o Irã, o presidente Lula foi a Madri, para participar da Cúpula União Européia-Mercosul. O encontro, que visa o estabelecimento de uma zona de livre comércio entre os dois blocos no prazo de 10 anos, foi antecedido pela forte manifestação de 10 países europeus, contrária a um acordo nesse sentido. Curioso, que a manifestação contrária foi encabeçada pela França, tradicionalmente, o país europeu mais ligado à América Latina, depois da Espanha. Só que a ligação francesa é essencialmente política. Quando se trata de questões comerciais a situação muda. Tudo por causa dos subsídios que os franceses, assim como outros europeus, concedem aos seus produtores, o que inviabiliza a entrada na Europa de produtos latino-americanos. Especialmente, os decorrentes do agro-negócio. E o governo francês sabe que não pode mudar a situação, porque, cada vez que acena com uma redução nos subsídios, os agricultores cercam a Torre Eyffel com as suas vacas e os seus tratores. Aliás, a presidente argentina Cristina Kirchner aproveitou a ocasião do encontro para fazer uma crítica incisiva sobre o subsídio europeus. Este, inclusive, é um dos fatores a impedir um avanço na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio.
Então, falar em área de livre comércio entre UE e Mercosul no atual contexto é chover no molhado.