Tendo concluído a missão que me propus na China, no retorno programei uma parada na Inglaterra, para visitar o filho mais novo que está estudando em Liverpool. E a ida àquela cidade do Noroeste do país cumpria dupla finalidade: além da visita ao filho, conhecer o cenário onde nasceu a banda mais famosa de todos os tempos: The Beatles. A distância de Londres a Liverpool, de quase 500 quilômetros, foi percorrida em exatas 2 horas e 6 minutos, através de moderno trem de alta velocidade. E aí já se estabelece uma substancial diferença entre um país de primeiro mundo, como a Inglaterra, e um de terceiro, como o Brasil. Apesar de nossas dimensões continentais, não dispomos do trem como uma alternativa para o transporte de passageiros a longa distância.
Chega-se de trem ao centro de Liverpool e o trajeto até o hotel que estava reservado foi feito a pé. Logo em seguida fui fazer o tour, que passa pelos pontos que marcaram a história dos Beatles e que agora se constituem em cenário de visita de gente que vem das mais diversas partes do mundo. O curioso é que Liverpool não é uma cidade grande para os padrões europeus, são cerca de 500 mil habitantes e tudo é muito simples. Com o marco característico da arquitetura e da cultura inglesa. Assim, de repente, você se vê em meio ao cenário que inspirou músicas que se tornaram imortais. E esse cenário pode ser uma simples rua com casas antigas de um bairro, como Penny Lane, ou uma pequena área de vegetação com um portão emoldurado com morangos, como Strawbery Fields. Pode-se também visitar as casas onde moraram esses extraordinários personagens, o museu que reverencia o seu trabalho e a sua história. E, evidentemente, a célebre Cavern Club. E aí a emoção é marcante. Especialmente para mim, que vivi na adolescência a época áurea dos Beatles. Chegar ao Cavern era o ponto alto do tour, mas, na medida em fui descendo a escadaria, ia ouvindo, num crescendo, a inesquecível “Yesterday”. A cada passo na escada, mais aumentava o volume da música e a emoção. Quando cheguei ao pub e vislumbrei um sósia de John Lennon cantando e fui envolvido pelo coro de freqüentadores que acompanhavam a música, não consegui mais segurar a emoção. Simplesmente, deixei que as lágrimas rolassem pelo rosto. Afinal, era o resgate de algo muito bonito vivido no período marcante de nossas vidas: a juventude.