Cuba está abrigando desde esta quarta-feira uma frota russa que adentrou a baía de Havana sob a liderança do submarino de propulsão nuclear Kazan, exibindo a bandeira cubana. Fazem parte ainda o rebocador de resgate Nicolai Chiker, pintado com as cores da bandeira russa, a fragata Almirante Gorshkov e o petroleiro Pashin. Esta frota estava em manobras no Ártigo e foi mandada para a árera de influência dos Estados Unidos depois que o presidente Joe Biden autorizou a Ucrânia a usar armas norte americanas em território russo. Portanto, uma sutil escalada do confronto do Leste europeu para a região do Caribe.
O governo norte americano diz estar acompanhando atentamente esta manobra, que pegou a todos de surpresa, pois não estava prevista. Foi estruturada a partir de um encontro em Moscou entre o chanceler cubano Bruno Rodriguez e seu homólogo russo Sergei Lavrov. O Pentágono, não poderia ser diferente, diz estar acompanhando com a devida atenção esta manobra e os seus resultados.
LEMBRANÇA
Esta manobra russa traz à lembrança a “Crise dos Mísseis”, episódio ocorrido em 1962, quando o mundo estava no auge da Guerra Fria, a confrontação entre o Leste, comandando pela então União Soviética, e o Oeste, sob a liderança dos Estados Unidos. Essa crise fez o mundo viver um período de terror, de 16 a 29 de outubro daquele ano, com o temor da eclosão de uma guerra nuclear entre as potências. Isto porque Moscou havia decidido instalar mísseis nucleares em Cuba. A estratégia soviética consistia em demonstrar que um novo ataque contra Cuba inevitavelmente resultaria num conflito nuclear direto com a URSS. Era a forma de dissuadir os EUA de uma nova tentativa de invasão. Em agosto de 1962, iniciaram-se as construções dos primeiros silos dos mísseis destacados para proteger Cuba.
Em 22 de outubro, Kennedy fez um pronunciamento pela televisão, com o objetivo de alertar sobre o perigo da presença de bases de mísseis nucleares em Cuba, de fabricação soviética, que possuíam a capacidade de atingir e destruir muitos países do continente americano. O governo norte-americano exigiu a retirada dos mísseis de Cuba e impôs um bloqueio ao país caribenho. No final de novembro, Nikita Khrushchov decidiu retirar os mísseis de Cuba em troca de algumas contrapartidas oferecidas pelos Estados Unidos.
REPETIÇÃO
O mundo espera não viver uma repetição da tensão vivida em 1962, porém, não dá para negar que atravessamos períodos perigosos novamente. A invasão da Ucrânia por vladimir Putin já decorre 29 meses e não se vislumbra um término do conflito. O que tivemos nesse período foi um incremento nas confrontações e um gradativo envolvimento, cada vez maior, do Ocidente no conflito. Primeiro com armas para a Ucrânia se defender dentro de seu território e agora com licença para usar essas armas dentro de território russo. A pergunta é: qual será o próximo passo. Possivemente, o envio de soldados da OTAN para ajudar a Ucrânia. O presidente Emmanuel Macron já cogitou mandar tropas da França para lutar ao lado das ucranianas.
Embora tanto os Estados Unidos quanto Cuba tenham dito que os navios não são uma ameaça, a chegada das embarcações é vista como uma demonstração de força russa em meio às tensões elevadas devido à guerra na Ucrânia. Em resposta à chegada, na quarta-feira, dos navios de guerra russos a Cuba, os EUA enviaram, na quinta-feira, um submarino nuclear de ataque rápido para a sua base na Baía de Guantánamo, que fica do outro lado de onde a fragata russa está, na capital Havana. Para aliviar as tensões o Ministério das Relações Exteriores cubano disse que se trata de operação entre dois países com uma amizade histórica. “Nenhum dos barcos carrega armas nucleares, então a parada no nosso país não representa uma ameaça para a região”, disse a pasta cubana em nota.
O fato é que estamos, mais uma vez, diante daquela situação de morde e assopra. Faz-se uma ação inimidadora, mas, ao mesmo tempo se diz que não há qualquer ameaça. O detalhe é que com a guerra na Ucrânia o mundo ficou conhecendo Vladimir Putin. Quando ele mobilizou 200 mil soldados no entorno da Ucrânia, todo o mundo acreditou que ele preparava uma invasão. Putin, no entanto, afirmou que se tratava apenas de manobra militar rotineira. Quando se deram conta as forças russas estavam entrando em comboio no território ucraniano, para realizar aquilo que Putin teve o desplante de chamar “uma operação militar especial”. Portanto, todo cuidado com o russo é pouco.