Dois aspectos precisam ser analisados com relação à crise entre Venezuela e Colômbia. Um deles diz respeito ao Brasil, que pretende ser arvorar de mediador. A posição assumida pelo presidente Lula beira as raias do ridículo. Disse que estava tudo bem até que Uribe resolveu fazer a denúncia na OEA contra a Venezuela. E mais: “As Farc são um problema da Colômbia. Os problemas da Venezuela são da Venezuela”. E ingenuamente complementou: “Se a gente aprender isto, tudo fica em paz”. Na realidade, a primeira mediação do Brasil no caso já foi para beneficiar Chávez. Tirou o tema de discussão do âmbito da OEA, onde tem a presença dos EUA, e o trouxe para a Unasul, onde predominam os aliados de Chávez, como boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o próprio secretário-geral da organização, o argentino Néstor Kirchner, sem contar a presente Cristina.
Ora, as Farc são um problema da Colômbia, mas a relação com a Venezuela também passa a ser quando o país da guarida para o grupo da narcoguerrilha. Os problemas deixam de ser isolados de cada país. E o que caberia aos países vizinhos da Colômbia fazer, seria não deixar que as Farc se estabelecessem em seu território, como comprovadamente fez o Equador, que acabou sendo alvo de uma ação das forças colombianas. Se Chávez tivesse certeza de que não membros das Farc em território venezuelano, deveria ser o primeiro a concordar com a investigação internacional. Mas não. O Chávez faz é tentar passar para o seu povo um possível ameaça da Colômbia.
O que o líder bolivariano quer é aproveitar o episódio para encobrir os números negativos de seu governo, que deve fechar o ano com uma inflação de 40%, a maior da América Latina e uma das mais altas do mundo; uma recessão que provocará queda do PIB entre 3% e 6%; uma profunda crise energética, com apagões e racionamentos que impedem o crescimento da indústria; um índice de desemprego que beira os 20% e por aí afora.
Então, para efeitos internos a crise está sendo benéfica para Chávez.