O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair deu início esta semana pelo Oriente Médio à sua mais nova missão: mediador para a busca da paz entre israelenses e palestinos. A atribuição lhe foi concedida pelo chamado grupo dos quatro, EUA, Rússia, União Européia e ONU. Os quatro que traçaram o que se convencionou chamar de “o mapa da paz”. Os encontros de Tony Blair com o presidente da Autoridade Nacional Palestina Mahmoud Abbas e com o premiê israelense Ehud Olmert foram os mais entusiasmantes possíveis. Tanto que Blair já se apressou em dizer que vislumbra a possibilidade paz no Oriente Médio. Blair indicou que o quarteto ajudará a “criar instituições governamentais viáveis e duradouras, que representem todos os palestinos, uma economia forte e clima de lei e de ordem”.
É claro, se depender de Abbas e Ohlmert, a paz será encontrada. Ambos estão em busca do que pressupõe o plano básico traçado pelo grupo dos quatro para o Oriente Médio. Ou seja, a retirada israelense das áreas conquistadas na Guerra dos Seis dias, em 1967, e a sua entrega aos palestinos, para que ali seja formado o seu estado nacional e soberano. Esse plano pressupõe a entrega da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Este plano e o projeto de busca para a paz na região ganharam força esta semana com o apoio de representantes da Liga Árabe.
À primeira vista, o plano parece simples e aceitável por ambas as partes. Mas há alguns detalhes que servem de entrave. Um deles, diz respeito a Jerusalém Oriental. Trata-se da parte antiga da cidade, composta em sua maioria por população árabe. Os palestinos querem formar ali a sua capital. Os israelenses, especialmente os mais conservadores, não aceitam a idéia. Querem Jerusalém como a “capital única e indivisível de Israel”. É algo, portanto, que requer ampla negociação.
Outro aspecto a dificultar as negociações é no que toca à própria Cisjordânia, região de predominância quase absoluta de palestinos. Existem ali muitos assentamentos judaicos, estabelecidos após a conquista de 1967, e incentivados pelo governo como forma de marcar a presença israelense naquela área. Israel tem interesse em conservar alguns desses assentamentos.
Há também um muro que está sendo construído por Israel em torno da Cisjordânia. Algo que, na prática, vai isolar algumas comunidades palestinas e, ao mesmo tempo, manter algumas áreas em poder de Israel. Soma-se ainda às dificuldades de busca da paz, o fato de os palestinos reinvindicar o retorno dos seus compatriotas refugiados. O que é recusado por Israel, posto que esse contingente pode chegar a algo em torno de 4 milhões de pessoas.
Embora as dificuldades, todas essas questões podem ser colocadas por Tony Blair diante dos negociadores representantes das duas partes, para irem, gradativamente, buscando pontos de consenso. O problema maior, no entanto, está na Faixa de Gaza. Teoricamente, essa já deveria ser uma área solucionada, pois Israel já se afastou da mesma, mediante decisão unilateral, deixando-a totalmente aos palestinos. No entanto, hoje, o presidente da ANP Mahmoud Abbas não consegue entrar lá. A área está dominada pelo Hamas, a facção palestina radical que não aceita negociar com Israel.
O Hamas, cujos integrantes são fundamentalistas islâmicos, havia vencido a última eleição parlamentar dos palestinos, mas acabou brigando com o Fatah, que é laico e que dá sustentação a Abbas. Em função da disputa, que se transformou em luta armada, o Fatah e Abbas se transferiram para a Cisjordânia e deixaram a Faiza de Gaza, sob o domínio do Hamas, abandonada à sua própria sorte.
E esta é a questão maior hoje a dificultar o processo de paz que Tony Blair pretende conduzir no Oriente Médio. Há toda uma parte da nação palestina que não compactua com o que está sendo tratado.