Quase 92 mil documentos secretos dos EUA sobre a guerra no Afeganistão, produzidos entre janeiro de 2004 e novembro de 2009, vazaram para a imprensa, através do site Wikileaks. Os dados vêm comprovar os erros cometidos pelos EUA nesse conflito. Senão, vejamos: há a constatação de que hoje o Talibã, que fora destituído do poder em 2002, está mais forte do que no início do conflito, em 2001. As tentativas secretas de eliminar os líderes da Al Qaeda falharam. Bem, isto não precisava de qualquer investigação para se saber. Outra e grave revelação é que o serviço de espionagem do Paquistão estaria servindo de apoio para os insurgentes afegãos. Vale lembrar que os EUA tem descarregado 1 bilhão de dólares ao ano no Paquistão, na tentativa de obter a ajuda daquele país no combate ao Talibã e a Al Qaeda. Outra revelação contundente: a existência de um destacamento militar especial para capturar ou matar insurgentes sem direito a julgamento.
No filme Jogos de Poder, que, casualmente, revi neste final de semana, um deputado norte-americano, com a ajuda de uma milionária, consegue destinar verbas para os rebeldes do Afeganistão comprarem mísseis termoguiados para combater os soviéticos, ao tempo em que esses ocupavam o país. A inicitativa foi bem sucedida e os russos tiveram que se retirar do país, em 1989, depois de 10 anos de ocupação. Pois esses mesmos mísseis estariam sendo usados agora contra as forças dos EUA.
Vale ressaltar que esses dados se referem basicamente ao período do governo Bush, tendo em vista que Obama assumiu em janeiro de 2009 e, em novembro, mudou a estratégia para o Afeganistão. Só que, mudou a estratégia mas não conseguiu mudar o resultado da guerra.