Cuba, o “paraíso do comunismo” na América Latina, ficou totalmente às escuras desde a sexta-feira, 18, até esta segunda-feira, quando foi anunciado que em metade da ilha havia sido restabelecido o serviço energético. Ao mesmo tempo o país era assolado pelo furacão Oscar, com ventos de até 130 km/h. Um somatório para aumentar as agruras do povo cubano, que enfrenta calor intenso, escassez de alimentos e excesso de fanatismo político por parte de seus governantes que inviabiliza o crescimento.
Hoje, até o pão é racionado para os cubanos que precisam usar a caderneta que estabelece a dosagem de alimento que cada cidadão pode comprar. Em termos de carne, por exemplo, cada cidadão tem direito a 250 gramas de frango por mês.
PROTESTOS
Cada vez mais carentes e passando necessidades, os cubanos saíram às ruas para protestar, embora correndo o risco de sofrer a repressão do regime. Aliás, como acontece na Venezuela, nada de ruim que ocorre do país é culpa do governo. Sempre é culpa de um agente externo. No presente caso, as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e a fúria do furacão. O detalhe é que os apagões se tornam cada vez mais freqüentes no país, por falta de manutenção do envelhecido sistema energético. O presidente Miguel Díaz-Canel, reconheceu em sua conta no X que “várias pessoas manifestaram insatisfação com a situação do serviço de energia elétrica e de distribuição de alimentos”, mas acusou os inimigos da Revolução de tentarem se aproveitar deste contexto para fins desestabilizadores.
Imagina-se o prejuízo causado por tamanha paralisação no fornecimento de energia. Desde os alimentos estocados em refrigeradores de moradias, restaurantes, hotéis, etc, até os medicamentos na rede hospitalar. Soma-se a isto, o funcionamento da precária indústria do país.
HISTÓRIA
Desde a vitória da revolução comunista em 1959 liderada por Fidel Castro, Cuba viveu sob a proteção da União Soviética. Ao trocar açúcar por petróleo e receber ajuda das mais diversas formas, pode ir mantendo sua aura de “paraíso do comunismo”. Quando a União Soviética ruiu, em 1991, começaram as agruras, pela falta de condições de se manter por forças próprias. Porém, em 1991, veio nova e substancial ajuda, quando Hugo Chávez assumiu o poder na Venezuela. Mais uma vez passou a dar-se a troca de açúcar por petróleo, acrescentando-se o fornecimento de médicos em troca de dinheiro, como aconteceu com o Brasil.
Ao mesmo tempo, a UNESCO deu impulso ao programa de recuperação dos prédios de Havana, considerados patrimônio da humanidade, tal a sua beleza arquitetônica, que data da época da construção, dos anos 1930 a 1950. Apesar de boa parte ter sido recuperada e embelezada, mais da metade de Havana ainda é de cortiços, onde a população se amontoa em pequenos espaços.
A partir de 1992, o país resolveu dobrar-se a um dos motores do capitalismo, o turismo. Firmou convênios com redes hoteleiras internacionais, que souberam aproveitar as belezas naturais da ilha. O regime resolveu também autorizar os pequenos negócios privados, como bares, restaurantes, serviços, etc. Porém, tudo sob um rígido controle. E enquanto a internet se espalhava pelo mundo, encurtando as distâncias e facilitando as comunicações, nesses estabelecimentos não havia wi-fi.
DECADÊNCIA
As benesses começaram a diminuir na medida em que o regime similar de Nicolás Maduro ia afundando a Venezuela. Pararam as remessas de petróleo. E, para piorar, em 2020 veio a pandemia e o turismo, a principal fonte de renda, entrou em recessão.
Vale lembrar que praticamente toda a infra-estrutura de Cuba foi construída antes de 1959. Pouca coisa foi aprimorada depois da revolução. Com exceção dos veículos utilizados pelas empresas de turismo, os carros que circulam pelo país foram fabricados também antes de 1959. O que, diga-se de passagem, é uma atração a parte nas ruas da capital.
A ilha entrou em profunda crise econômica, com a inflação disparando e a produção de alimentos entrando em colapso. Não há mais um aliado internacional que permita alívio financeiro. O resultado não poderia ser outro do que os protestos da população.
Assim é que, pela primeira vez, o governo pediu ajuda ao Programa Mundial de Alimentos da ONU.