A Coreia do Sul está vivendo momentos de ameaça à sua democracia, algo inimaginável para um país que se tornou uma das economias mais sólidas da Ásia e, por sua história recente, um exemplo a ser seguido pelos países em desenvolvimento. Tudo começou a 3 dezembro, quando o presidente Yoon Suk Yeol resolveu dar um autogolpe, decretando a lei marcial no país.
A intenção foi abortada e o presidente foi alvo de impeachment, seguido de ordem de prisão, que não chegou a ser cumprida, gerando um impasse entre forças que queriam prendê-lo e as que o defendiam. O assunto acabou indo para o Tribunal Constitucional.
HISTÓRICO
Se para as novas gerações a tentativa de Golpe de Estado na Coreia do Sul é uma novidade, para as mais antigas não é. Este hoje próspero país, que exporta chips, automóveis, televisores, celulares e até navios, foi paupérrimo até os anos 1980, sendo governado por alternados governos militares golpistas.
Vale lembrar que a Coreia do Sul resultou da guerra da Coreia, travada de 1950 a 1953, e que gerou igualmente na comunista e fechada Coreia do Norte. Desde o seu surgimento como Coreia do Sul o país viveu em meio a conflitos de interesse e golpes militares. Foram seis repúblicas até 1988, quando foi constituída a sexta, que é a que vigora até hoje.
SOLIDEZ
A partir daí a democracia se consolidou e deu espaço para uma sociedade civil ativa e uma política que se alternou no poder entre progressistas e conservadores. Foi em 1988 que os sul-coreanos tiveram a oportunidade de eleger seu primeiro presidente pelo voto direto. Porém, ainda foi um militar, o general Roh Tae-woo. Mas, ele teve o mérito de alicerçar o caminho para a eleição direta do primeiro presidente civil, o que aconteceu em 1992, com Kim Young-sam.
TRANSFORMAÇÃO
É partir daí que se dá a transformação. O salto de qualidade que tornou o país um referencial para o mundo dos países em desenvolvimento. Um forte investimento em educação, um impulso militante pelo sucesso, bem como a paixão pela excelência, ajudaram o país, pobre em recursos naturais, a crescer. Essa ênfase se reflete na cultura de estudo intenso e na alta competitividade entre os alunos. A educação é vista como uma prioridade familiar e os pais acompanham de perto o progresso dos seus filhos.
O outro ponto para o crescimento do país foi apostar na exportação de industrializados. Para isto era necessário vislumbrar que produtos poderiam desenvolver. Apostaram no elétrico metal mecânico. Passaram a desenvolver automóveis, que logo foram conquistando o mercado.
CRESCIMENTO
Com a industrialização emergindo na península coreana, mesmo que tardia em relação aos países mais desenvolvidos, a modernização trouxe à Coreia do Sul uma nova gama de empregos, provocando uma migração da zona rural para a zona urbana. O governo trabalhava para incentivar o desenvolvimento das cidades
Além da capital do país, o que fez com que diversas outras regiões também prosperassem, diminuindo o êxodo rural em busca de empregos e oportunidades destinado a Seul, distribuindo à outros polos urbanos que foram emergindo em diversas localidades do país, como Changwon, Busan, Daegu, dentre outras. O benefício de se desenvolver outras regiões também estava caracterizado no acesso à educação, permitindo pessoas de diversas localidades a terem experiências urbanas próximas, mesmo morando longe da capital do país.
Concomitantemente, com o aumento gradativo do PIB e a alavancada econômica que se iniciara na Coreia, a qualidade de vida no país, que no pós-guerra era caótica, também ascendeu, graças às medidas tomadas em relação à educação. Os dados deste bloco Crescimento são tirados da dissertação de doutorado de Pedro Pereira Francez na Universidade Federal do Espírito Santo.
POSIÇÃO
Hoje, a Coreia do Sul é a 11ª economia do mundo, tendo uma renda per cápita de US% 33.121 . O principal setor industrial do país é alta tecnologia, sendo um grande exportador de chips, concorrendo com Taiwan. Um salto de qualidade conseguido em pouco mais de 30 anos, graças à determinação, o comprometimento e a seriedade na implementação das políticas públicas.