Uma gritaria geral se estabeleceu fora e dentro dos Estados Unidos contra a determinação do presidente Donald Trump de estabelecer tarifas de 25% sobre os produtos oriundos do Canadá e do México e de 10% dos vindos da China. Não só os governos dos respectivos países protestaram, como também grupos empresariais e associações comerciais norte-americanas.
Algo previsível é a reciprocidade. Mas, o primeiro ministro do primeiro ministro do Canadá Justin Trudeau, no final da tarde, anunciou que havia chegado a um acordo com Trump e as tarifas foram suspensas por 30 dias. A presidente do México Claudia Sheinbaum disse que teve contato com Trump por telefone e os dois chegaram a um acordo. “O presidente Trump suspendeu por um mês a cobrança dos 25% para os produtos mexicanos e eu mandarei 10 mil militares para a fronteira norte”, disse Claudia. Já Pequim afirmou que irá contestar as medidas na OMC – Organização Mundial do Comércio, por considerar que as medidas contrariam as regras da instituição.
INTERNO
O Canadá tomou logo as providências de reciprocidade, em meio a mais uma descabida manifestação de Trump de transformar o país no 51º estado norte-americano. Ao dizer que iria cortar subsídios concedidos ao país vizinho, ressaltou que “nós não precisamos de nada do que eles têm”.
Além de dar a reciprocidade em matéria de taxas, o Canadá vai reforçar o intercâmbio interno entre suas províncias, para não depender do produto norte-americano. O governo da província de Columbia Britânica já anunciou que deixará de comprar vinhos da Califórnia, para comprá-los da sua vizinha província de Alberta. Assim será procedido com outros produtos, como cerveja, frutas, carne, madeira e vários tipos de alimentos.
RETORNO
O detalhe importante é que, com a reciprocidade, os cidadãos norte-americanos estarão pagando mais caro pelo que consomem, vindos do Canadá. O Instituto Peterson estimou que as sanções ameaçadas por Trump causariam danos econômicos a todos os países envolvidos, incluindo os EUA. O imposto de 25% sobre as importações do Canadá e do México resultaria em um impacto de cerca de US$ 200 bilhões na economia dos EUA durante o mandato de Trump, estimou. Já sobre importações chinesas, o impacto previsto é de US$ 55 bilhões. A inflação nos EUA também aumentaria.
“Tarifas sobre todos os bens importados do México e Canadá —especialmente sobre ingredientes e insumos que não estão disponíveis nos EUA— poderiam levar a preços mais altos para os consumidores e retaliação contra exportadores”, disse Tom Madrecki, vice-presidente da cadeia de suprimentos da Consumer Brands Association.
Mas, há um quadro mais tenebroso no ar. Estudo elaborado pelo economista chefe da EY, Greg Dako, indica que as medidas de Trump resultarão numa queda de 1,5% na economia dos Estados Unidos e numa recessão no Canadá e México, que poderá escorregar para deflação, ou seja, inflação alta, crescimento econômico estagnado e desemprego.
PANAMÁ
Outro país que está sendo alvo dos ataques de Trump é o Panamá. Neste caso, não ações econômicas, mas, militares. Pois o presidente americano ameaçou tomar de volta o canal, em vista da presença chinesa junto ao mesmo. Ameaça que foi referendada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que nesta segunda-feira iniciou um giro pela América Central, com foco no Panamá. É preciso ressaltar que a presença de Pequim na área é representada por empresas chinesas que operam portos do Panamá, diante do fato de terem vencido concorrências para tal. Neste caso, é só as empresas americanas oferecerem preços mais baixos e vencerem as concorrências.
O que menos se quer é uma intervenção militar de um país sobre outro aqui na região. Ainda mais sem uma justificativa plausível. Ou seja, não se quer uma repetição por aqui do que a Rússia fez na Ucrânia.
DEEPSEEK
Marcante a abordagem que o jornalista Elio Gaspary fez em sua coluna na Folha de S. Paulo, de 02/02/25, a respeito desta competição EUA-China. Ele lembrou que Trump assumiu, no dia 20 de janeiro, ressaltando seu lema Make America Great again, e que a partir de agora terminou o declínio norte-americano. E teríamos o início de “uma era de ouro”. Estavam ali presentes os empresários top de linha da tecnologia e da inteligência artificial dos EUA. Elon Musk da Tesla, Mark Zuckerberg da Meta, Tim Cook da Apple entre outros.
No dia seguinte, o mercado norte-americano da Inteligência Artificial foi abalado pela chegada do DeepSeek, produzido pelo chinês Liang Wenberg, a um custo 83 vezes menor que de seus concorrentes americanos. Esta deveria ser a preocupação maior de Trump.