Em meio à intensificação da guerra que travam Israel e Irã surgem tênues nesgas de luz para negociação. Uma delas por acontecer já a partir desta sexta-feira, 20, pois o chanceler do Irã, Abbas Araghchi decidiu se encontrar com seus homólogos do Reino Unidos, França e Alemanha, mais a encarregada de assuntos externos da União Europeia, Kaja Callas. A outra reunião, ainda sem data marcada, mas, por acontecer nos próximos dias, será entre o representante dos Estados Unidos específico para a questão nuclear iraniana, Steve Witkoft e o do Irã, o próprio chanceler Araghchi, que vinham negociando sobre o programa nuclear iraniano. Conversações que foram interrompidas pela eclosão do ataque israelense, na sexta-feira, 13.
Também nesta sexta-feira, 20, o Irã fez um aceno, de uma forma indireta. O Irã disse que não abrirá mão de seu programa nuclear, se Israel continuar com os ataques. Ou seja, lendo de outra forma, pode-se entender que se Israel parar com os ataques, o Irã abre mão de seu programa nuclear.
ABALO
O que é certo é que o programa nuclear iraniano já foi abalado. A maior parte das plantas foi destruída ou semi destruída. Sem contar os 11 engenheiros nucleares que foram mortos por ação do Mossad. Aliás, uma coisa que impressiona é a ação desenvolvida pelo serviço secreto israelense dentro do território iraniano. Uma ação que foi estruturada ao longo de meses e que teve sua conclusão na semana passada. Daí a decisão de Israel de atacar, mesmo que o presidente Trump estivesse pedindo tempo para mais uma etapa de negociação, que estava prevista para ocorrer em Omã, no domingo, 15. Assim é que, a partir desses novos encontros se poderá vislumbrar um caminho para trégua.
RÚSSIA
Uma indagação que é feira com frequência é sobre o apoio da Rússia ao Irã, já que EUA dão explícito suporte para Israel. Pois, Rússia e Irã, chegaram a assinar um acordo de cooperação em janeiro de 2025, ou seja, quando o quadro de conflito já se desenhava. Pois, o Acordo de Parceria Estratégica, cobre uma série de áreas de cooperação, incluindo defesa e segurança, mas não inclui a defesa mútua. Em contraste com o que foi contemplado nos acordos que a Rússia firmou com a Belarus e a chamada República Popular Democrática da Coreia do Norte. A propósito, toda ditadura sempre se chama de democrática. Parece que Putin, ao assinar o acordo, sentiu que poderia ter um enfrentamento direto, não só com Israel, mas, também com os EUA.
Os aiatolás, no entanto, continuaram fornecendo para a Rússia componentes para a fabricação de mísseis balísticos, assim como drones e munição de artilharia.
PIADAS
Em meio às agruras do conflito, Putin tem sido alvo de piadas. Primeiro, quando se apresentou para ser o mediador. Logo ele que está atolado até os dentes com a guerra que trava contra a Ucrânia. Aliás, para ele a guerra de Israel e Irã tem sido benéfica para o desvio do foco da guerra que ele iniciou em fevereiro de 2022, com a invasão territorial de uma país soberano.
Pois, com tudo isto, ele e seu amigo Xi Jinping, resolveram condenar Israel “pelas ações que violam a Carta da ONU e outras normas do Direito Internacional”. Ora, tem que ter muita cara de pau, com o histórico que possui, fazer uma declaração dessa natureza. Mas, ele faz com aquela sua postura fria e ar de mordomo que está escondendo o crime que cometeu.
OPOSITORES
Em meio ao abalo do regime dos aiatolás, cresce o até agora sufocado movimento opositor iraniano. Na realidade não é um, mas são vários movimentos, com diferentes matizes. A oposição iraniana enfrenta desafios como a repressão do regime, a falta de unidade entre os diferentes grupos e a dificuldade de organização devido à censura e vigilância.
Dentre os principais grupos opositores, destacam-se os monarquistas liderados por Reza Pahlavi, Herdeiro natural do trono, do qual foi tirado o seu paí, Mohammed Reza Pahlevi. Ele tenta se articular a partir do exterior, mas, o respaldo não tem sido muito grande. Especialmente, porque hoje a monarquia é vista como sistema ultrapassado e muitos querem é a implantação da democracia. E o movimento chega até a Organização Mujahideen do Povo (MEK) Grupos de direitos humanos e ativistas que também têm papel importante na crítica ao regime e na defesa de reformas democráticas.
ESPERANÇA
Antes de tudo, porém, é preciso esperar o que acontecerá dentro deste prazo de duas semanas dado por Trump. Se chegarão a uma trégua ou teremos a intensificação dos combates. A prevalecer esta última hipótese, restará ao aiatolá Ali Khamenei a sentença que lhe foi dada por Trump: sair da guerra humilhado ou morto.