Na medida em que a tragédia de Gaza se estende, cresce pelo mundo o movimento em favor da criação do Estado da Palestina. Este movimento que já tem o reconhecimento de 144 dos 193 países integrantes da ONU, tem crescido nas últimas semanas, com a adesão de alguns países de peso. Primeiro foi a França, logo veio o Reino Unido – este condicionando a não adesão ao fim imediato da guerra – o Canadá e, ainda ontem, Portugal e Alemanha.
Embora crescente, o movimento tem alguns grandes obstáculos. Um deles é o governo de Israel. O outro é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a ameaçar o Canadá de sanções por anunciar o reconhecimento. Depois recuou. Porém, Trump é hoje o homem mais poderoso do mundo e sua adesão é fundamenta para o sucesso do movimento.
PRÊMIO
O governo de Israel entende que aceitar um Estado Palestino hoje será o mesmo que dar um prêmio ao Hamas. Pode não ser assim se a criação do estado seguir alguns parâmetros básicos, como os que foram traçados pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O que ele coloca é dar força à Autoridade Palestina, que reconhece a existência de Israel e defende dois estados com fronteiras definidas e seguras. E a completa exclusão do Hamas de qualquer processo. Com o desarme da organização e a proibição de participar de qualquer processo eleitoral. Claro que antes disto tem que haver a libertação de todos os reféns que ainda estão em mãos da organização terrorista.
ÁRABES
Cabe ao mundo árabe um papel decisivo neste processo. Países como o Catar tem que parar de dar guarida aos dirigentes do Hamas, bem como tem que cortar qualquer tipo de ajuda. Há que considerar que já existem seis países que firmaram acordo de paz com Israel e que podem ajudar muito no processo. São Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Arábia Saudita, o mais poderoso país árabe, está na iminência de assinar, mas, o condiciona à solução do problema palestino. O que é um fator importantíssimo.
Estes países deverão ser co-responsáveis pela segurança de Israel. Sim, porque uma das condições a serem impostas por Israel – se chegar ao ponto de aceitar o Estado Palestino – será de que o mesmo não tenha forças armadas. No máximo, uma força policial, como já existe hoje na Cisjordânia.
ENTRAVES
E justo por falar em Cisjordânia, será fundamental também que Israel pare imediatamente com os assentamentos judaicos naquele território e que o Parlamento do país revogue sua decisão, recentemente tomada, de anexar a área ao domínio israelense.
Tarefa nada fácil diante das posições dos atuais detentores do poder em Israel. Só que estes precisam se dar conta de que, enquanto não for solucionado o problema palestino Israel não terá sossego. E lembrando que um dos objetivos traçados pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu ao lançar a guerra era exterminar com o Hamas. Pois, a organização está quase que completamente destruída. Perdeu a maioria dos combatentes e das lideranças. E está com poucas armas.
RESSURGIMENTO
Então, a oportunidade é conduzir o assunto para a proposta do Canadá, ou seja, de eliminação, desarmamento e isolamento do Hamas. Se isto não for feito o movimento ressurgirá, recrutando jovens que estão vivendo as agruras atualmente na Faixa de Gaza.
Netanyahu e seus parceiros dizem que criar um Estado Palestino agora será dar um presente ao Hamas. Não, se forem observados os preceitos traçados pelo Canadá. Pois, se estaria premiando, sim, a sofrida população palestina e isolando completamente o Hamas, que, inclusive, perderia a sua razão de existir.
APOIO
Trump tem sido o mais importante apoiador de Netanyahu, porém, nesta semana, contrariou seu aliado. O israelense havia dito que não há fome em Gaza e Trump contestou, dizendo que há sim fome em Gaza. E que iria mandar ajuda em suprimentos alimentares e medicinais para a região. Ao mesmo tempo, decidiu enviar para a área o encarregado de negócios para a região Steve Witkoff.
Assim é que um novo cenário começa a ser vislumbrado para a região. Porém, tudo ainda é muito incipiente. Para avançar depende de romper muitas resistências, especialmente, do lado israelense e do lado árabe. E de conseguir o feito de exterminar o Hamas. Assim é que o caminho para a paz é muito difícil de ser trilhado, porém, o importante é que ele existe.