O presidente Donald Trump resolveu travar uma guerra contra o mundo com suas tarifas, espalhadas indistintamente. O resultado começa a ser sentido com a união cotra ele de três grandes potências, China, Rússia e Índia. Vejam que Vladimir Putin, que ele dizia ser seu amigo e com o qual iria negociar o fim da guerra na Ucrânia, se atirou para os braços do chinês Xi Jinping. O mesmo aconteceu com o indiano Narendra Modi, que há poucos dias fora recebido em Washington, para selar uma aliança com os EUA. Porém, Trump resolveu aplicar sobre o país dele uma taxa de 50%, o que fez ele debandar para o lado dos grandes opositores do americano.
MANOBRAS
Xi Jinping aproveitou o momento de revolta geral contra Trump e suas tarifas para promover em seu país uma reunião da Organização para a Cooperação de Xangai. Na pauta, articulações comerciais e estratégicas para o enfrentamento com o poderio americano. Não é sem razão que esta reunião foi antecedida por manobras navais entre China e Rússia. Na primeira semana de agosto, China e Rússia iniciaram exercícios navais conjuntos no mar do Japão. As operações incluíram combate anti-submarino, defesa aérea e patrulhas no Pacífico. Nos exercícios participam navios das duas marinhas. As manobras visaram reforçar a cooperação militar entre os dois países, num contexto de tensão com os Estados Unidos e antes da visita de Vladimir Putin à China.
RECADO
E, num claro recado para os Estados Unidos, depois da realização desses exercícios, os dois países anunciaram a realização de patrulhas navais em águas do Pacífico ocidental, numa iniciativa que, segundo as autoridades chinesas, visa “salvaguardar conjuntamente as rotas marítimas estratégicas e responder a ameaças regionais”.
Na realidade, o recado é para EUA e para países vizinhos da China. Acontece que frotas navais norte-americanas têm realizado manobras em águas do Mar do Sul da China, que Pequim entende que lhes pertence, enquanto Washington entende que são águas internacionais e vizinhos chineses, como Vietnã, Filipinas, Malásia e outros, que são suas águas territoriais. O fato é que a China avança sobre aquela área marítima, construindo ilhas artificiais, que usa como bases militares.
SUPORTE
Com as manobras navais, fica claro o respaldo da Rússia às pretensões chinesas. A aliança Pequim-Moscou não surpreende, tendo em vista que os chineses passaram a ser os maiores compradores dos produtos russos, especialmente petróleo, depois das sanções que foram impostas a Putin pelo Ocidente.
Só que as taxas de Trump lançaram também a Índia para os braços chineses. Vale lembrar que China e Índia tem guerreado várias vezes, ao longo dos últimos anos, em função de divergências em limites fronteiriços na região do Himalaia. Agora, os dois países mais populosos do mundo unem suas forças para enfrentar a nação mais poderosa do mundo.
ENFRENTAMENTO
E ainda dentro deste contexto de enfrentamentos, Xi convidou Putin a permanecer na China para assistir as comemorações dos 80 anos do fim da Segunda Guerra, que ocorrerão nesta quarta-feira, 3. A celebração é ressaltada como a vitória sobre o nazismo e sobre o império japonês, que ocupava o território chinês desde 1931.
Para o desfile, onde Xi e Putin estarão assistindo lado a lado, deverão ser apresentados os mais modernos equipamentos militares chineses. Numa simbólica demonstração de força das duas potências antagônicas dos Estados Unidos. Segundo informou Pequim, o desfile revelará a “nova geração” de armamentos em serviço ativo do ELP, Exército de Libertação Popular, produzidos internamente. É para ser a maior exibição de avanços em equipamentos militares da China desde o desfile do Dia Nacional de 2019.
AMIZADE
Quanto a Índia, Xi procurou ressaltar que o encontro bilateral com Modi simbolizava o enterro das divergências entre os dois países, que agora passavam a se tratar como “bons vizinhos, amigos e sócios,” de acordo com a agência Xinhua. Ainda de acordo com a mesma, Modi destacou como as relações entre os dois países “retomaram um caminho positivo” e com “uma fronteira pacífica e estável”. Culminando o encontro com o anúncio da retomada dos voos diretos entre os dois países.
Em última análise, Trump não só conseguiu fortalecer a união de seus dois inimigos, como jogou para os braços deles outra potência que estava sendo sua aliada.