Começo esta coluna me estabelecendo uma camada de proteção, porque vou abordar o tema Israel x Palestina, ao qual me dedico há mais de 50 anos e que é sempre passível de muita controvérsia. E um detalhe marcante, a comunidade judaica, de um modo geral, costuma confundir críticas ao governo de Israel com antissemitismo. Ressalto que criticar o governo de Lula não é ser antipatriota. Portanto, criticar o governo de Netanyahu não é ser contra Israel e, muito menos, ao judaísmo. Dito isto, vamos aos fatos.
As ações do atual governo de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu, só comprometem a segurança do país, hoje e no futuro, o que detalho em seguida. Sem contar o fato de Israel ter se tornado “um paria internacional”, na avaliação de um judeu famoso, o jornalista Thomas L. Friedman, três vezes ganhador do Prêmio Pullitzer e desde 1995 editor de Internacional do New York Times. Soma-se ainda a manifestação de quem já foi primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, o qual disse que “há uma matança indiscriminada de civis” e que Israel “está cometendo crimes de guerra” em Gaza.
INDAGAÇÃO
Acrescente-se a condenação internacional da mortandade de civis em Gaza, fato referendado por decisão de comissão de investigação criada pela ONU, a qual concluiu que, de cinco pontos abordados, quatro concluem por considerar genocídio o que está acontecendo em Gaza. Com relação a esta comissão o governo de Israel demonstra o seu descrédito com a mesma. O que não pode acontecer com os dois exemplos anteriormente citados.
O governo de Netanyahu está firme em sua determinação de seguir em frente em Gaza, apesar das contestações, porque tem o apoio da maior nação do mundo, os Estados Unidos, aliado de todas as horas. Porém, este apoio se resume a apenas mais dois ou três países. Por outro lado, em defesa do Estado da Palestina, já há um elenco de 144 países que o reconheceram junto à ONU. E, nesta próxima semana, por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas, deverão se somar mais cerca de 15 países, dentre eles expressões do cenário internacional como França, Canadá, Reino Unido, Bélgica e Austrália entre outros.
Então é de indagar? Será que todos estes países estão errados e só Israel e EUA estão certos?
AÇÕES
O que ocorre agora é que Netanyahu está obcecado em sua determinação de acabar com o Hamas. Está realizando o que é para ser a etapa final, apesar da grande possibilidade de que esta ação resulte também na morte dos reféns que ainda estão em poder da organização terrorista. Pois é preciso destacar que, enquanto não for criado o Estado da Palestina, o Hamas não vai desaparecer. Estes meninos que hoje estão sobrevivendo aos bombardeios de Israel e vendo seus parentes e amigos morrer, serão os futuros integrantes da organização. E aqueles que irão cometer novos atentados em Israel.
É por isto que digo que Netanyahu e seus parceiros que querem ocupar a Cisjordânia e inviabilizar a pátria dos palestinos, atuam contra Israel. Farão com que o povo de Israel nunca tenha tranquilidade.
SOLUÇÃO
O termo solução tem sido desprezado, assim como tem sido desprezada a organização que pode conduzir ao caminho da paz. Refiro-me à Autoridade Palestina, liderada pelo Fatah, partido pacifista que é rival do Hamas e que já declarou várias vezes que aceita a existência de Israel, com a existência do Estado Palestino, convivendo com fronteiras seguras e definidas.
Só que esta ação tem que ter concordância de Israel e ser abraçada por todo o mundo árabe e por boa parte da comunidade internacional. A Arábia Saudita, a maior e mais importante monarquia árabe, já se manifestou disposta a firmar acordo de paz com Israel, mas, condicionando-o à solução do problema palestino. Haveria também a necessidade de que o Estado Palestino fosse desarmado, tendo apenas um setor de polícia como existe hoje na Cisjordânia. Necessária também uma força internacional de paz para controlar a fronteira entre os dois países.
RECUPERAÇÃO
E o Hamas? Ações concretas em benefício do povo palestino esvaziariam a razão de existir da organização. E estas ações passariam pela reconstrução de Gaza, dando dignidade para este povo, que ora está sob bombardeio e que perdeu seus entes queridos e seus bens. Concretizando aquilo que a comunidade internacional já aprovou há muito tempo, ou seja, Gaza e Cisjordânia compondo um Estado Palestino independente.
Fora desta solução o que teremos é a continuidade do Hamas, o seu fortalecimento com os atuais meninos e a continuidade da insegurança para o povo de Israel.