O que as pessoas de bem desejam, entre as quais modestamente me incluo, é um futuro seguro para Israel, para que sua população possa viver em paz, sem as ameaças do terrorismo. O primeiro passo para isto, salta aos olhos de qualquer observador, é acabar com o Hamas. Agora, o que nem todos têm a mesma visão é sobre como acabar com a organização terrorista. Benjamin Netanyahu, seus parceiros de governo e boa parte da comunidade judaica mundo afora entendem que é matando todos os integrantes do grupo. Pois, não é por aí. Sempre sobrará alguém!
A solução para acabar com o Hamas é terminar com o que move o seu ideal. O primeiro desses ideais que a organização defendia, acabar com o Estado de Israel, está sendo sepultado. Israel tem demonstrado a enorme diferença de poderio bélico entre os dois atores. Fica muito claro que, por mais que se arme, o Hamas não conseguirá destruir o Estado judeu. Outro objetivo é acabar com as fontes de financiamento do grupo. E estas fontes são, fundamentalmente, Irã e Catar. E Israel já mostrou para esses dois países quais são as consequências desse apoio.
ESTADO
Acrescente-se como objetivo a criação do Estado da Palestina. Na medida que isto fosse alcançado, teoricamente, estaria alcançado o anseio do grupo. Bem, mas daí imaginar que o Hamas irá aceitar tranquilamente esta nova situação, é muita inocência.
A questão da criação do estado para os palestinos é algo que vem num crescendo, na medida em que o mundo assiste o massacre a que estão sendo vítimas as pessoas em Gaza. E o primeiro motivo que levou a esta situação foi o ataque do Hamas em Israel a 7 de outubro de 2023. Fica claro para os palestinos que quem os levou a esta situação foi o Hamas. Porém, fica claro também para o mundo que esse povo não pode simplesmente ser dizimado, como está fazendo Israel. Tampouco que esse povo pode ser deslocado à força para outras áreas, que não aquela em que eles e seus ancestrais nasceram.
DIREITO
E as áreas são claras, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, já reconhecidas pela ONU como destinadas ao Estado Palestino. Gaza até o atentado era controlada pelo Hamas, e deu no que deu. A Cisjordânia é controlada pelo Fatah, que preside a Autoridade Palestina e que há muito defende a existência de dois estados, convivendo com fronteiras determinadas e seguras. É uma área de relativa paz.
Então, para se chegar a este objetivo será necessário, em primeiro lugar, sufocar o Hamas, aproveitando sua atual desestruturação. Logo, dar força à Autoridade Palestina que quer conviver em paz.
COMPROMISSO
Porém, para que tudo isto aconteça será necessário garantir a segurança de Israel. Isto passa pela constituição de uma força internacional, com participação dos países europeus, especialmente aqueles que mais respaldam a criação dos dois estados, bem como dos países árabes, que já fizeram acordo de paz com Israel ou que estão por fazer.
Outro detalhe fundamental para levar tranquilidade para a região seria a implementação de investimentos no novo país, para dar emprego e dignidade à população. O que poderia ser feito em acordo com os pressupostos estabelecidos pelos Acordos de Abrahão, mediados pelo presidente Trump, em seu primeiro mandato, e que levaram a acordos de vários países árabes com Israel. E tudo dentro da premissa de aproveitar o conhecimento científico e tecnológico de Israel com o empreendedorismo e recursos financeiros dos árabes.
VISÃO
Numa visão otimista de alguns defensores desta ideia, poderia ser criado na Palestina um novo Vale do Silício. E, diga-se de passagem, que empreendimento dessa natureza, envolvendo parceria entre israelense e palestino não é novidade. Já existe em Ramallah. Claro que em escala muito pequena.
Assim, enquanto os atuais dirigentes de Israel mantiverem sua radical posição contra a criação do Estado Palestino e seguirem avançado sobre as terras destinadas a esse povo, só teremos a continuidade da violência. E o que é pior, mantendo a razão de existir do Hamas. E assim, por mais que os atuais integrantes do grupo sejam dizimados por Israel, o mote da luta continuará. E esses meninos que hoje estão em Gaza vendo seus familiares e amigos morrer, serão os terroristas de amanhã.
Por isto que insisto em dizer que Netanyahu compromete a segurança de Israel.