A OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, tem uma reunião de cúpula neste fim de semana em Lisboa, onde o destaque é a presença do presidente da Rússia Dmitri Medvedev. Mas aí é de se perguntar: como pode a presença da Rússia numa reunião do bloco militar que foi criado para lhe ser antagônico? Será que a Rússia também vai aderir à Otan, como já fizeram outros países do Leste europeu, que ao tempo do comunismo orbitavam em torno de Moscou? Não, a Rússia não está aderindo, mas está buscando uma aliança.
Moscou tem preocupações com o avanço da Otan para sua antiga área de influência, tentando cooptar países como Geórgia e Ucrânia. E tem também preocupações com o sistema antimísseis que os EUA pretendem instalar na Polônia e na República Tcheca. Daí, ao invés de ir para uma confrontação, Moscou está buscando uma cooperação. E sua proposta é no sentido de criação de um fundo comum antimísseis com a participação de Rússia, Estados Unidos e os países europeus, ou seja, que incluiria também o novo escudo americano e seus radares e mísseis em Romênia e Bulgária. “Esse escudo não estaria dirigido contra nenhum terceiro país. Rússia e a Otan compartilham riscos”, segundo o chanceler russo Serguei Lavrov, que insistiu no conceito de “segurança indivisível” para a Rússia e o Ocidente. “Não estamos falando de um escudo antimísseis conjunto, já que seria muito complicado”, afirmou Lavrov. A Rússia quer se certificar que o novo sistema antimísseis está dirigido contra os mísseis de curto e médio alcance de países como o Irã, e que não está capacitado para atingir seu território.