DIÁRIO DA VENEZUELA
A falta de fornecimento suficiente de energia elétrica para o país determinou o estabelecimento de um processo de racionamento, que tem afetado todos os setores, inclusive o industrial. E este tem sido um dos motivos pelo qual os investidores estrangeiros se afastaram do país. Sem contar, logicamente, a falta de regras claras do governo de Hugo Chávez e as desapropriações. Conversando com o engenheiro Gregório Paluszny, presidente do Parque Tecnológico Sartanejas, – um dos setores mais afetados, pois trabalha com alta tecnologia – ele diz que o motivo que o governo alegava para a falta de energia elétrica era a seca que se abatia sobre o país. A qual teria afetado sobremaneira a usina de Guri, que é praticamente a única que abastece o país. “No entanto, ressalta Paluszny, já estamos com seis meses de chuva e a situação não mudou”. E ele salienta que o problema se deu, não pela seca, mas, pela falta de manutenção dos equipamentos, tanto de geração quanto de distribuição. Por isto residências, empresas, hospitais, etc, seguem tendo que racionar o consumo de energia.
No âmbito político, as divergências internas se acirraram desde a realização, na terça-feira à noite, do “Ato pela pátria, pela soberania e contra o imperialismo”, em que Chávez anunciou um processo mais radical à esquerda. Esta disputa pode ser acompanhada pela televisão, onde há dois canais governamentais, Vive e ANTV e um oposicionista, a Globovisión, cujo dono Guillermo Zuloaga está refugiado nos EUA. Fato que tem servido para os partidários de Chávez acusá-lo de estar tramando uma intervenção americana no país. Aliás, motivo de mais uma manifestação ridícula de Chávez: “Que venham os ianques imperialistas, que estamos dispostos a dar a vida pela pátria”. É só o que ele faz, falar em ameaça externa para abafar os problemas internos. Mas, a suposta ação de Zuluaga tem sido usada na tentativa governamental de fechar a Globovisón. O que só não foi feito devido às pressões a SIP, a Sociedade Interamericana de Imprensa, e da OEA, a Organização dos Estados Americanos. Aliás, após o ato da terça-feira, a MUD, Mesa da Unidade Democrática, organização que reúne os partidos de oposição, fez uma solicitação expressa à OEA, para “que ative todos os meios à sua disposição para que a voz e imagem da Globovisión não sejam silenciadas”. Não querem que termine como a RCTV, que foi fechada, pois o governo não renovou a sua concessão.
Em termos de jornais, a oposição é mais ativa. Há três que batem em Chávez. “El Nacional” e “El Universal”, que são justamente os dois mais importantes do país. E também o “Tal Cual”, que faz uma oposição mais contundente e que é dirigido por um antigo partidário de Chávez, e que tem em Laureano Márquez o crítico mais mordaz. Em termos de jornal o governo fica apenas com o “Vea”, pois aposta tudo na televisão e nas múltiplas rádios que tem pelo país. O fato, é que a partir da noite desta terça-feira a divergência política se acentuou na Venezuela.