DIÁRIO DA VENEZUELA
Dado contundente sobre a situação do país me foi revelado pelo sociólogo e professor da Universidade Central da Venezuela Tomas Paez. De 1999 para cá houve uma redução de 40% do parque industrial venezuelano. Os dados estão num estudo elaborado pela Fundação Konrad Adenauer e mostram que o país tinha 12.560 indústrias e hoje tem cerca de 7.200. Paralelamente, caiu a produção do país, que hoje importa tudo o que come. Não produz praticamente nada. E o pior, administra mal o que compra. Foi perdido um total de 150 mil conteiners, de 40 pés, de alimentos importados, por terem apodrecido no depósito onde se encontravam. Mais dinheiro público que foi queimado.
Enquanto recebia estas informações, via pela televisão o presidente Chávez fazendo entrega de casas para a população. Entregava 79 casas, dentro do seu programa de habitação popular que, segundo o anúncio, é para entregar 85 mil moradias. Lógico que a TV estatal mostrava as pessoas extremamente agradecidas ao presidente pelo que lhes era concedido. Imagine se no Brasil, ou em qualquer outro país que seja, o presidente da República fosse para a televisão cada vez que fosse entregue um lote de casas populares. Mas Chávez aproveitou a platéia, embora pouco esclarecida, para fazer o que mais gosta: denunciar a “ameaça do império ianqui”. O que vem fazendo com insistência nos últimos dias.
E depois de oito meses do anúncio de expropriação da rede de supermercados Cada e de hipermercados Êxito, pertencentes à cadeia Cativen, o governo formalizou a compra de 81,2% das ações da empresa. São 35 lojas Cada e seis Êxito e mais todo o sistema de transporte que passam para a mão do governo. Segundo a Confederação Venezuelana das Indústrias, ao longo deste ano 234 empresas foram expropriadas.
E o governo determinou tabelamento nos preços de dez produtos mais vendidos no Natal. O pernil, por exemplo, foi estabelecido em 22,50 bolívares o quilo, porém os comerciantes alegam que pagam para o produtor 37 bolívares o quilo. Com o que, alguns simplesmente deixam de vender o produto e outros desafiam o governo vendendo por um valor que varia de 39 a 48 bolívares o quilo. No câmbio oficial, um bolívar vale cerca de 4 dólares, no paralelo pagam até 8 bolívares por um dólar.