O presidente Donald Trump tem se caracterizado ao longo de sua vida, tanto profissional como política, pela teoria do morde e assopra. Ou, de dar uma paulada e depois fazer um carinho. Na sua condução da atual guerra que seu país e Israel travam contra o Irã não tem sido diferente. Ainda neste sábado, 21, ameaçou atacar as instalações energéticas do Irã, caso o país persa não concordasse em desobstruir o Estreito de Ormuz. E deu prazo de 48 horas para o cumprimento de sua exigência.
Lógico que o mundo ficou em tensa expectativa, devido aos estragos que a guerra está provocando, não só entre os países digladiantes, mas, também entre aqueles que passaram a ser envolvidos por bombardeios ou pelas consequências da retenção do petróleo.
ALÍVIO
O prazo dado por Trump ao Irã esgotava-se nesta segunda-feira, às 20h13min pelo horário de Brasília. De sua parte, o Irã anunciava que se Trump cumprisse o prometido, iria atacar instalações petrolíferas e de energia, inclusive nuclear, de todos os aliados dos EUA na região. Este termo nuclear se tornou o mais apavorante. Isto porque, a guerra foi deflagrada por temor ao fato de o Irã desenvolver uma bomba atômica. E agora estaríamos diante de uma explosão atômica. E não com o uso da bomba por Teerã, mas, pelo ataque a instalação de outro país.
E este outro país é, logicamente, Israel. Um país que não declara publicamente ter o artefato nuclear, mas, que, todo mundo sabe, possui sua bomba guardada nas instalações nucleares no deserto de Neguev. Imagine-se as consequências de um ataque dessa natureza.
ALERTA
É lógico que isto deve ter alertado Trump, assim como as autoridades israelenses. Ainda mais que Israel vem sofrendo crescentes ataques ultimamente e, como se sabe, os sistemas anti-mísseis não têm uma eficiência de cem por cento. Assim, sempre existe algum artefato que explode em Israel. Sem contar que há também o efeito dos fragmentos dos artefatos que são explodidos. Somam-se aí os artefatos de ataque e de defesa.
Além de sofrer com este tipo de explosão, Israel também ficou sob a ameaça do uso de bombas de fragmentação, cuja utilização é muito controversa. No caso do regime iraniano, não há o mínimo pudor por parte dos aiatolás em usar este tipo de bomba. Até porque o próprio Estados Unidos não aderiu ao tratado que veda seu uso.
CARACTERÍSTICAS
O serviço de Informações da ONU diz que “as bombas de fragmentação (ou munições de dispersão) são armas que liberam submunições menores sobre uma grande área, projetadas para explodir ao impacto. Proibidas por tratado internacional devido aos danos indiscriminados e altos riscos a civis (submunições não detonadas), seu uso gera grande controvérsia humanitária”. Quanto ao funcionamento, um contêiner principal abre-se no ar, espalhando dezenas ou centenas de bombas menores (submunições). Esse tipo de bomba, assim como as minas terrestres, tem outro fator de preocupação. Aquelas que não detonam ficam escondidas no solo e podem ser pisadas por civis, sendo então detonadas.
O curioso é que a Convenção sobre Munições de Dispersão proíbe o uso, produção e transferência dessas bombas. Porém, muitos países não aderiram ao tratado, onde se incluem Estados Unidos e Rússia. E até mesmo o Brasil que, não só não aderiu, como produz, exporta e considera essas armas necessárias para a defesa nacional.
PRAZO
Voltando ao andamento da guerra, Trump assoprou. Deu mais um prazo de cinco dias para sua ameaça, mas, ressaltou que as conversas com o Irã estão indo muito bem. “Tenho o prazer de informar que EUA e Irã tiveram, nos últimos dias, conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio,” disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
A ser verdade e, uma vez essas negociações resultem no fim das hostilidades, como preconiza Trump, teremos saído de uma situação que beirava a catástrofe, para outra que inspirava grande alívio para todo o mundo. Porém, como se sabe, da conversa para a realidade sempre vai uma boa diferença.