No início desta semana o mundo ficou sob tensão pelo que poderia acontecer, diante da ameaça do presidente Donald Trump de “exterminar a civilização do Irã”. Para alivio geral, antes de vencer o prazo, que era às 21 horas, horário de Brasília, desta terça-feira, foi anunciado que o Irã concordara em reabrir o Estreito de Ormuz, Trump suspendera o ataque e entrava em vigor um acordo de cessar fogo por 15 dias.
Pois o Estreito esteve aberto apenas por algumas horas, o suficiente para passar apenas quatro navios, e logo foi fechado pelo Irã, indignado com o fato de Israel continuar atacando no Líbano. E atacando intensamente, pois, somente na ação da quarta-feira, 8, foram cerca de 250 mortos. A alegação de Israel foi de que o acordo não o envolvia.
PARTE
Ora, Israel é parte da guerra. Atacou o Irã junto com os EUA. Aliás, esse ataque se deu porque Benjamin Netanyahu conseguiu convencer Trump a fazê-lo. Há muito que o israelense queria atacar o Irã, mas, não poderia fazê-lo sozinho. Precisava da aliança com Washington. Até que convenceu Trump a atacar um país que não era uma ameaça para os Estados Unidos. Ameaça para Israel, sim. Até porque a cartilha dos aiatolás prega a destruição do Estado judeu.
Com a ruptura do cessar fogo voltaram as ameaça de Trump, de atacar agora com “mais força e poderio”. É importante lembrar que Trump fora convencido pelos seus altos escalões a não realizar o ataque programado para a terça-feira devido às trágicas consequências que iria ter. Pois, simplesmente, havia a certeza de que a resposta do Irã seria devastadora
VISÃO
A perspectiva que se desenhava era de uma retaliação do Irã atacando os aliados dos EUA no Oriente Médio, como Catar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, etc, bombardeando suas refinarias, poços de extração de petróleo, usinas de dessalinização de água, pontos turísticos e outros locais mais. Os poucos bombardeios até agora já realizados pelo Irã naqueles países, já causaram prejuízos enormes.
O maior problema para esses países é o abalo causado na sua nova e grande fonte de renda: o turismo. Sabendo que o petróleo é finito, os países do Golfo passaram a investir maciçamente em atrações turísticas. Cenários suntuosos, hotéis de luxo, atendimento cordial e segurança plena. Tudo isto já sofreu um abalo com os atuais ataques do Irã, imagine-se como ficaria a situação com bombardeios maciços do Irã, em revide aos novos ataques americanos.
ALIADO
O que transparece nesse cenário é que, para que esta situação catastrófica não venha a acontecer, tudo ficou na dependência de Israel parar com os ataques no Líbano. Esse fato não pode ser alijado do cenário global dessa guerra. Afinal, Israel passou a atacar o Hezbollah no Líbano, porque o grupo terrorista atacara Israel, em solidariedade ao Irã. Então, não é um conflito à parte.
Resta ver se Trump – que foi persuadido por Netanyahu a atacar o Irã – terá poder para persuadir o líder israelense a parar com a destruição e mortandade que está provocando no Líbano. Conseguiu, pelo menos, uma reunião em Washington entre representantes de Israel e do Líbano. O problema que se vê aí é a falta de ascendência do governo libanês sobre o Hezbollah. A milícia islamita radical se constitui em um poder à parte no Líbano.
PEDÁGIO
Enquanto isto o Irã vai aproveitando para tirar alguma vantagem. E vislumbra isto através da cobrança de um pedágio para os navios que cruzam o Estreito de Ormuz. O valor é simples: um dólar por barril de petróleo que o navio transporta. Como a capacidade de um petroleiro pode ser até de dois milhões de barris, isto significa o pagamento de um pedágio de dois milhões de dólares. Nada mau para os aiatolás!
Mais um entre os múltiplos problemas a serem resolvidos nessa guerra que segue indefinida. Em meio a isto, cada lado segue contando vantagem, numa espécie de o “roto falando do esfarrapado”. E o mundo sofrendo as consequências da alta no preço do petróleo.