A Argentina é o país da América Latina onde a ditadura militar teve seu período mais negro. São 30 mil mortos ou desaparecidos, segundo as organizações de direitos humanos. Um dos grandes responsáveis por esse nefasto período foi o general Jorge Videla, que assumiu a presidência após a derrubada do governo democrático de Maria Estela de Perón em 24 de março de 1976. Pois Videla, mais uma vez, é chamado a comparecer perante um tribunal para ouvir uma sentença. E, mais uma vez, ouvir, prisão perpétua. Ele já havia sido condenado a tal em 1985, mas, em 1989, recebeu indulto do então presidente Carlos Meném.
Nesta terça-feira compareceu de novo ante o tribunal. O ex-ditador argentino assumiu a responsabilidade por crimes políticos cometidos no país entre 1976-83, ao final de um julgamento sobre o fuzilamento de 31 presos políticos em Córdoba. “Assumo plenamente minhas responsabilidades. Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens”, destacou Videla no tribunal de Córdoba, um dia antes da divulgação do veredicto. Videla é acusado desses crimes junto a outros 29 militares.
No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá “sob protesto a injusta condenação que possam me dar”. A promotoria havia pedido, em novembro, a pena de prisão perpétua para Videla, que, no dia 24 de março de 1976, comandou um golpe que instaurou uma ditadura que deixou 30 mil desaparecidos, segundo entidades humanitárias.
“Reclamo a honra da vitória e lamento as sequelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos, lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos”, disse Videla. Depois apontou para o governo da presidente Cristina Kirchner, assinalando que as organizações armadas dissolvidas “não mais precisam da violência para chegar ao poder, porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de Gramsci”, numa referência ao téorico marxista italianoAntônio Gramsci. Ou seja, aos 85 anos Videla segue polemizando.