Há pessoas que não sabem a hora de se retirar da vida política. O ex-presidente argentino Carlos Menem, de 77 anos, demonstra ser uma delas. Acaba de ser derrotado em sua província natal, La Rioja, onde ficou em terceiro lugar na eleição majoritária.
Menem foi o responsável pelo ilusório período de euforia que os argentinos viveram, quando desfrutaram da irrealidade de terem uma moeda que se equivalia ao dólar. O período de governo de Menem, de 1989 a 1999, foi aquele que nós conhecemos aqui como o do “dá-me dos”. Ou seja, em que os argentinos vinham passar suas férias em nossas praias e pediam tudo em dobro, porque era muito barato para eles.
O problema foi quando essa ilusão chegou ao fim, o que ocorreu junto com o término do governo Menem. Não houve mais como sustentar o artificialismo do dólar igual ao peso e a moeda americana disparou, levando consigo a infalção e o endividamento da nação. Quem tinha depósitos em dólar acabou recebendo de volta os desvalorizados pesos argentinos, na operação conhecida como “corralito”. O caos tomou conta do país e, em 2001, a nação viveu o triste episódio de ter cinco presidentes em um período de dez dias.
Mesmo assim, Menem tentou eleger-se presidente novamente, em 2003. Classificou-se para o segundo turno, mas desistiu de concorrer com Néstor Kirchner, porque as pesquisas davam a este ampla vantagem. Ficou na espera, no exercício de seu cargo de senador, que vai até 2011. Nesse meio tempo, veio o escândalo de sua mulher, a chilena Cecília Bolocco, que apareceu de top less em um hotel de turismo na companhia de um empresário americano.
Assim, Menem tinha tudo para ficar quieto. Resolveu, no entanto, desafiar as urnas e levou uma goleada.