O problema de viajar para um país do primeiro mundo é que a gente se dá conta de alguns aspectos fundamentais. Enquanto ouvimos elogios ao crescimento econômico do Brasil, acompanhamos também o noticiário sobre a destruição provocada pela enchurrada no Rio de Janeiro. Mas o que chama a atenção é que, apesar de nossa pujança e de nosso crescimento no setor automobilismo, percebemos o quão atrasados estamos em termos de trânsito, de transporte, de segurança, de educação e, principalmente, de cumprimento da lei. Sabemos que em nosso país o que vale é a “lei de Gerson”, ou seja, o importante é levar vantagem. Estou impressionado ao caminhar aqui pela cidade de Washington. Tenho o hábito de, em estando em uma cidade, visitar o máximo possível de lugares andando a pé. E é o que me dediquei a fazer aqui na capital americana, apesar do frio de um grau e da neve fina que caía. Encarei a rua para percorrer Georgetown, a parte histórica, onde começou a cidade. E onde está praticamente tudo igual ao tempo da colonização britânica. Prédios históricos, tombados, que dão lugar a lojas, cafés, restaurantes e, logicamente, muitas moradias. Circular pelas ruas de Georgetown é fazer uma volta ao passado. Mas, passado que tem o toque de presente com os carros que circulam pelas ruas. E aí vem o que nos surpreende: o respeito que o motorista tem pela pedestre. Você pode estar sobre a calçada, mas se ele percebe que queres atravessar, ele para o carro e não segue enquanto você não cruzar a rua. Bem, poderiam dizer: mas isto é aí nesta parte histórica! Não. É não só em toda a cidade, mas algo que eu já havia percebido na cosmopolita Miami. Também lá o pedestre é respeitado. Mas ele, pedestre, também faz a sua parte. Atravessa só na faixa de segurança e, quando há sinal, só cruza quando este está aberto para ele. Não é como aí em Porto Alegre, onde o sinal está aberto para os veículos e os pedestres vão cruzando a rua. A raiz de nossas diferenças está, obviamente, na educação.
Washinton está recebendo um visitante importante, o presidente da China Hu Jintao. Uma visita que se dá após um ano marcado por tensas disputas entre Washington e Pequim. Os Estados Unidos tem pressionado, sem sucesso, a China corrigir a sua moeda, o yuang. Isto porque, com sua moeda subvalorizada, a China invade os mercados mundiais, inclusive o americano, com os seus produtos. E com o dinheiro que está auferindo, a China é hoje a maior detentora de títulos da dívida pública americna. Algo em torno de um trilhão de dólares. Hu nem cogita em valorizar o yuang e já declarou que quer é transformá-lo numa moeda mundial, tendo em vista que, na sua opinião, o período de domínio do dólar acabou. As autoridades chinesas já emitiram operações em yuang na Bolsa de Hong Kong, ao mesmo tempo em que incentivam seus clientes em Nova York a desenvolverem seus negócios na moeda chinesa. Ou seja, um claro desafio ao dólar.
Hu Jintao disse que os dois países têm muito a lucrar com a cooperação e que possuem pensamento comum em questões como combate ao terrrismo e à proliferação nuclear. Além disto, buscam cooperação para crescimento na área de infraestrutura e de energia limpa. Enfim, deixou claro que os dois países ganham com a cooperação e perdem com a confrontação. O que é óbvio, o problema da confrontação, segundo o governo americano, é a posição irredutível da China. Resta ver se irá mudar alguma coisa a partir deste encontro que se dá aqui em Washington.
Jurandir Soares – j.soares@cpovo.net
O problema de viajar para um país do primeiro mundo é que a gente se dá conta de alguns aspectos fundamentais. Enquanto ouvimos elogios ao crescimento econômico do Brasil, acompanhamos também o noticiário sobre a destruição provocada pela enchurrada no Rio de Janeiro. Mas o que chama a atenção é que, apesar de nossa pujança e de nosso crescimento no setor automobilismo, percebemos o quão atrasados estamos em termos de trânsito, de transporte, de segurança, de educação e, principalmente, de cumprimento da lei. Sabemos que em nosso país o que vale é a “lei de Gerson”, ou seja, o importante é levar vantagem. Estou impressionado ao caminhar aqui pela cidade de Washington. Tenho o hábito de, em estando em uma cidade, visitar o máximo possível de lugares andando a pé. E é o que me dediquei a fazer aqui na capital americana, apesar do frio de um grau e da neve fina que caía. Encarei a rua para percorrer Georgetown, a parte histórica, onde começou a cidade. E onde está praticamente tudo igual ao tempo da colonização britânica. Prédios históricos, tombados, que dão lugar a lojas, cafés, restaurantes e, logicamente, muitas moradias. Circular pelas ruas de Georgetown é fazer uma volta ao passado. Mas, passado que tem o toque de presente com os carros que circulam pelas ruas. E aí vem o que nos surpreende: o respeito que o motorista tem pela pedestre. Você pode estar sobre a calçada, mas se ele percebe que queres atravessar, ele para o carro e não segue enquanto você não cruzar a rua. Bem, poderiam dizer: mas isto é aí nesta parte histórica! Não. É não só em toda a cidade, mas algo que eu já havia percebido na cosmopolita Miami. Também lá o pedestre é respeitado. Mas ele, pedestre, também faz a sua parte. Atravessa só na faixa de segurança e, quando há sinal, só cruza quando este está aberto para ele. Não é como aí em Porto Alegre, onde o sinal está aberto para os veículos e os pedestres vão cruzando a rua. A raiz de nossas diferenças está, obviamente, na educação.
Washinton está recebendo um visitante importante, o presidente da China Hu Jintao. Uma visita que se dá após um ano marcado por tensas disputas entre Washington e Pequim. Os Estados Unidos tem pressionado, sem sucesso, a China corrigir a sua moeda, o yuang. Isto porque, com sua moeda subvalorizada, a China invade os mercados mundiais, inclusive o americano, com os seus produtos. E com o dinheiro que está auferindo, a China é hoje a maior detentora de títulos da dívida pública americna. Algo em torno de um trilhão de dólares. Hu nem cogita em valorizar o yuang e já declarou que quer é transformá-lo numa moeda mundial, tendo em vista que, na sua opinião, o período de domínio do dólar acabou. As autoridades chinesas já emitiram operações em yuang na Bolsa de Hong Kong, ao mesmo tempo em que incentivam seus clientes em Nova York a desenvolverem seus negócios na moeda chinesa. Ou seja, um claro desafio ao dólar.
Hu Jintao disse que os dois países têm muito a lucrar com a cooperação e que possuem pensamento comum em questões como combate ao terrrismo e à proliferação nuclear. Além disto, buscam cooperação para crescimento na área de infraestrutura e de energia limpa. Enfim, deixou claro que os dois países ganham com a cooperação e perdem com a confrontação. O que é óbvio, o problema da confrontação, segundo o governo americano, é a posição irredutível da China. Resta ver se irá mudar alguma coisa a partir deste encontro que se dá aqui em Washington.