O sol apareceu nesta quinta-feira em Washington, eliminando o gelo das calçadas e permitindo uma caminhada mais segura e tranqüila, apesar de a temperatura seguir pouco acima de zero. Uma caminhada pela avenida Pennsylvania significa ir da Casa Branca ao Capitólio e, entre os dois prédios, cruzar por tantos outros famosos, como a Galeria Nacional de Arte, onde entrei para ver a mostra “Do Impressionismo ao Modernismo”. Algo indescritível. Obras de Botticelli, Degas, Renoir, Rembrandt, Van Gogh, Manet, Rubens, Monet, chegando até Picasso. Uma coleção reunindo nomes como eu só havia visto na Galeria Del Ufficci, em Firenze. A coleção exposta pertence a Chester Dale, um americano felecido em 1962, que fez fortuna no mercado de ações de Wall Street. Logicamente, que é preciso muito tempo para percorrer toda a mostra, porém, a Galeria Nacional de Arte tem um diferencial: na maior parte das salas existem sofás, para dar aquela descansada e seguir em frente. Vale a pena. E um detalhe, a entrada é gratuita. Bem perto dali, mas para uma visita em outro dia, estão vários outros museus, cada um com a sua peculiaridade, como o aeroespacial, onde se pode ver até os equipamentos usados para a viagem a lua.
Pouco adiante, na Casa Branca, acontecia mais uma etapa dos encontros entre o presidente Barack Obama e o presidente da China Hu Jintao, que está no país para uma visita de quatro dias. É o encontro dos líderes das duas maiores potências atuais, as quais têm muitas divergências de ordem política, mas têm múltiplas possibilidades de cooperação na área econômica. E para mostrar que veio a fim de impulsionar os negócios, o presidente chinês já anunciou a compra de 200 aviões da Boeing, algo que, na reação em cadeia, deve gerar 235 mil empregos nos EUA, segundo o porta-voz do governo. Enquanto os dois líderes se encontravam na Casa Branca, do lado de fora ocorriam manifestações. Eram chineses clamando por respeito aos direitos humanos por parte do governo de Hu Jintao, enquanto que outros clamavam pela libertação do Tibete ou pela independência de Taiwan. Obama não decepcionou os manifestantes. Fez cobranças a Hu Jintao sobre todos os temas, a ponto de o dirigente chinês, muito constrangidamente, dizer que o seu país tem avançado muito nas questões dos direitos humanos. Mas Obama não irá muito fundo nos temas, porque o que lhe interessa, na realidade, é o mercado chinês, cujo consumo interno, segundo avaliações do Departamento de Comércio dos EUA, representará logo algo em torno de US$ 2 trilhões. Assim é que, depois de amaciar Obama, Hu Jintao foi ao Capitólio convencer os parlamentares de que o seu país é um grande parceiro dos EUA.