A decisão do presidente Barack Obama de realizar em março uma visita ao Brasil e ao Chile, já está causando um descontentamento regional. E este parte da Argentina, cujo governo está indignado pelo fato de que Obama visita o Brasil, o histórico adversário, depois sobrevoa o território argentino e vai ao Chile, país com o qual a Argentina quase travou uma guerra em 1980, por causa de três pequenas ilhas no canal de Beagle, no extremo sul do continente.
Bem, a visita ao Brasil está inserida no novo momento pelo qual passa o país com o governo de Dilma Rousseff. Lula chegou a ser chamado de “o cara” por Obama, porém, nunca foi convidado para ir à Casa Branca, tampouco recebeu o anúncio de que Obama viria ao Planalto. Tudo por conta da política externa de Lula, com muita proximidade com os “bolivarianos” Chávez e Morales aqui na América latina e, especialmente, com a relação íntima que manteve com Ahmadinejad do Irã. Isto desgostava a Casa Branca e, por isto, nunca houve visita. Dilma, antes de assumir, já condenou o voto do Brasil na ONU a favor do Irã. Disse que não compactuava com tratamentos medievais para a mulher, conforme é praticado no Irã. Isto foi o suficiente para aplainar o caminho para um melhor relacionamento com Washington. Tanto que Obama já anunciou sua vinda ao Brasil entre 12 e 18 de março. Lógico que não é somente a questão política que trás o presidente americano. Hoje o Brasil é um interlocutor importantíssimo no cenário internacional. Um país que experimente um crescimento, enquanto os EUA estão na estagnação.
E a Argentina? Bem, a Argentina deu um calote nos credores em 2001 e ainda paga por isto. Sem contar que tem uma governante que ainda mantém uma relação muita próxima com Chávez e que, internamente, bate de frente com o setor do agronegócio. Não sendo, portanto, referência para Washington. É por isto que o avião de Obama vai passar por cima do território argentino.