A Bolívia é o país sul-americano que mais territórios perdeu ao longo de sua história. A perda mais significativa foi a de seu litoral, na chamada Guerra do Pacífico, travada contra o Chile em fins do século XIX. Pois agora esse pobre país corre o risco de ver-se dividido. Esse movimento vem se acirrando desde que Evo Morales assumiu o poder.
Ocorre que Evo veio com sua política populista, imitando Hugo Chávez na Venezuela, nacionalizando o setor energético e afastando o investidor estrangeiro. Isto acirrou os sentimentos separatistas de províncias com concentração industrial, como Santa Cruz de la Sierra. Províncias que querem o país inserido no mundo globalizado. O movimento cresce e se mescla com as demais rebeliões que estão ocorrendo no país, em protesto contra o governo. Rebeliões que incluem outro movimento divisionista, que é aquele que exige a transferência da capital do país para Sucre.
Os manifestantes pedem que Sucre seja capital plena –com a sede de todos os poderes– da Bolívia, pois o país possui duas capitais. La Paz é a administrativa e sede do governo. Sucre é a constitucional e sede do Judiciário. Prevendo que os pedidos de capital plena possam prejudicar o desempenho da Constituinte –que até dezembro deve elaborar uma nova constituição para o país– a maioria governista determinou que o assunto fosse eliminado da agenda, decisão que provocou o conflito regional. A cisão foi agravada pela decisão de que quatro magistrados do Tribunal Constitucional, denunciados por Morales, serão julgados.
Em função de todos esses episódios, a Bolívia está vivendo dias de extrema agitação e confrontos populares.