Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2009 porque assumiu a presidência dos Estados Unidos levando uma mensagem oposta à do beligerante George W. Bush. Sua plataforma eleitoral previa a imediata retirada dos EUA do Iraque e do Afeganistão. Até hoje, no entanto, ele não conseguiu sair de nenhum dos dois países. O máximo que alcançou foi a determinação de uma retirada do Iraque até o fim deste ano, mas deixando lá 50 mil homens. Ou seja, um contingente para fazer guerra em qualquer lugar. Assim, sem conseguir resolver os problemas bélicos herdados de Bush, Obama viu-se diante da crise de efeito dominó que se abateu sobre o mundo árabe. E, de repente, o que se vê: é Obama mandando navios de guerra para a costa da Líbia e buscando estabelecer um bloqueio aéreo sobre aquele país, ao mesmo tempo em que faz declarações ameaçadoras a Kadhafi.
Não tomou nenhuma decisão ainda, mas, possivelmente, a primeira que terá que tomar será mandar armas para os rebeldes da Líbia. Até porque, o líder líbio está mostrando que não se entrega mesmo. Prova disto é a reação de suas forças contra os rebeldes que tomaram cidades ao leste do país. Cidades que foram atacadas por terra e pelo ar. Que sofreram o impacto da reação das forças leais a Kadhafi, mas que não se entregaram. No entanto, segundo informações das lideranças rebeldes, embora a maior parte do exército tenha desertado e passado a lutar contra o ditador, a derrota dele só se dará com a ajuda estrangeira. Esta ajuda, se dependesse da vontade de Obama não iria chegar. Porém, conhecendo-se a história americana, dá para dizer que Obama acabará se rendendo aos radicais.
Um grupo de falcões congressistas republicanos, onde desponta o ex-vice-secretário de Defesa Paul Wolfowitz, enviou uma carta a Obama exortando a Casa Branca a intervir na Líbia, numa ação direta em parceria com a Otan, para por fim ao que qualifica de “regime assassino”. O senador John McCain, candidato presidencial republicado derrotado, exigiu o envio de armas aos rebeldes. Obama tem que agir às claras. Não pode fazer como Reagan, que mandou armas as escondidas para os “Contras” da Nicarágua e depois acabou sendo ridicularizado. Seus parceiros do Ocidente, no entanto, preferem ir com calma.
Sanções ao país e bloqueio de bens no exterior são as medidas tomadas pela União Européia em parceria com os EUA. Medidas que, logicamente, demandam tempo para ter efeito. O que pode derrubar logo o ditador é a ação militar que vem sendo desenvolvida dentro do país pelos revoltosos. Ação em que não se destaca um líder, mas um conjunto da sociedade líbia que se mostra cansada do regime autoritário e das falcatruas praticadas. Sim, porque é bom ressaltar, a revolta na Líbia não se da, como acontece na maior parte dos países, por problemas econômicos ou sociais. Graças à posição de nono produtor mundial de petróleo e a uma população de apenas 6,4 milhões de habitantes, o país desfruta uma ótima situação econômica e social. A renda per cápita de 12 mil dólares é maior que a do Brasil, da Argentina ou da Turquia. E o IDH é o mais elevado da África e um dos melhores entre os árabes. Então, a revolta se deu devido à repressão, à falta de liberdades de expressão e de locomoção e à corrupção. Revolta que deixou Kadhafy na corda bamba e Obama de saia justa.