Ollanta Humala é o novo presidente do Peru. Conseguiu superar sua rival Keiko Fujimori por cerca de 5% dos votos.
Este militarda reserva,de 48 anos, que na eleição de 2006 esteve muito ligado à figura do venezuelano Hugo Chávez, no atual tentou vender uma imagem ligada a Lula. Tanto que contou até com assessores do PT durante sua campanha. Humala vai assumir a 28 de julho com dois desafios: governar tendo metade da população contra si e promover uma diminuição na desigualdade de renda no país.
Nos últimos anos, o Peru apresentou um crescimento do PIB significativo, que chegou em 2010 a 8%. E o País se tornou um importante parceiro do Brasil, a ponto de estar sendo construída uma ligação rodo-ferroviária, que começa no Acre, cruza a Amazônia peruana, os Andes e chega até o Pacífico. É uma ligação que permite ao Brasil levar os seus produtos não só ao mercado peruano, mas também aos mercados das três Américas e do Pacífico. Trata-se de uma ligação crucial para a ampliação de negócios por parte do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 1% das exportações brasileiras são vendidas ao Peru. Em 2010, foram exportados US$ 2 bilhões, 35% mais que no ano anterior e o equivalente a um quinto de todas as importações feitas pelo Peru. A produção em escala dos artigos brasileiros permite que entrem no território peruano com vantagens competitivas, conforme aponta o levantamento.
O Sebrae fez um estudo sobre as potencialidades do mercado peruano, o qual mostrou que há enormes possibilidades, principalmente para os estados brasileiros vizinhos, como Acre, Rondônia e Mato Grosso. “Estudos como este apontam oportunidades para as micro e pequenas empresas dos setores estudados e os ajustes que elas precisam realizar para se inserirem de forma competitiva internacionalmente. É importante lembrar que a presença no Peru pode ser uma escala para o mercado andino, da costa oeste dos Estados Unidos e da Ásia”, observa Paulo Alvim, gerente de Mercado e Serviços Financeiros do Sebrae.
Mas, diante do crescimento extraordinário do Peru nos últimos tempos é de se perguntar sobre o porque de o atual presidente Alan Garcia não ter encaminhado um sucessor. Pois, a alegação é de que, diferentemente do que houve no Brasil, no Peru o resultado do crescimento ficou concentrado na elite do país. As camadas mais pobres não se beneficiaram deste crescimento. Daí, inclusive, o baixo índice de popularidade de Garcia. Caberá assim ao seu sucessor fazer esta distribuição. No mínimo, com um “bolsa família”.