A Turquia, país que está servindo de exemplo para as revoluções árabes do Egito, Tunísia, Líbia, Síria, etc, realizou eleições neste domingo, sendo vencedor o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK), do atual primeiro-ministro Recep Tayipp Erdogan, que obteve 50% dos votos. Trata-se de um partido com fortes ligações com o islamismo, que é a religião dominante no país. Num salutar resultado para a democracia, o partido de Erdogan não obteve a maioria absoluta, que lhe daria poderes para mudar a Constituição, conforme defendem os seus integrantes. Assim, a mudança constitucional deverá passar por um plebiscito. O resultado apontou em segundo lugar, com 26% dos votos, o Partido do Povo Republicano, de tendência social-democrata, mas que tem um histórico de ligação com os militares golpistas, fator do qual tentou se desvencilhar na presente eleição. Já o Partido Movimento Nacionalista, formado basicamente por jovens, conseguiu 13% dos votos. Ou seja, superou a barreira dos 10% necessários para colocar representantes no Parlamento e evitou a maioria absoluta do AK.
A Turquia é uma república parlamentarista e laica desde 1923, quando Ataturk assumiu o poder. Ele separou a religião do Estado e colocou o Exército como fiador da democracia. Introduziu uma série de medidas radicais promovendo a modernização e a ocidentalização das forças armadas do país, abolição do sultanato, do califado, da poligamia e das ordens e ensino religiosos. Incluindo-se a substituição de práticas legais islâmicas por um código civil de feitio ocidental. O dia de descanso islâmico, a sexta-feira, foi trocado pelo domingo e as mulheres passaram a ter direito a voto. No ano passado, a Turquia teve um crescimento que só foi superado pela China e pela Índia. Transformou-se na 17ª economia do mundo e tornou-se membro do G-20. São esses fatores que estão servindo de exemplo para as revoltas que estão acontecendo no mundo árabe.