Há um velho ditado que diz que se não podes derrotar o teu inimigo, uma-se a ele. E é isto o que os Estados Unidos estão tentando fazer no Afeganistão. Conforme anunciou o presidente afegão Hamid Karzai, fato referendado pelo secretário da Defesa americano Robert Gates, os EUA estão negociando com o Talibã. Esta busca de negociação se dá porque, depois de dez anos de ocupação do Afeganistão, as forças americanas, mesmo contando com o auxílio da Otan, não conseguiram derrotar os milicianos talibãs.
Vale lembrar que a ação dos EUA em solo afegão começou logo depois dos atentados do 11 de setembro de 2001. O autor intelectual dos atentados, Osama Bin Laden, refugiara-se no Afeganistão, juntamente com seus asseclas da Al Qaeda, tendo recebido proteção do Talibã, que então dominava o país.
As forças norte-americanas conseguiram tirar os talibãs do poder, colocando um seu aliado, Hamid Karzai, na presidência. O Talibâ refugiou-se nas montanhas junto com a Al Qaeda e começou uma contra-insurgência. Ação que foi gradativamente ganhando força, visto que os EUA, em março de 2003, mudaram seu foco para o Iraque. Pior que nas ações contra os talibãs, quase sempre aéreas, os militares norte-americanos bombardeavam vilarejos, matando também mulheres e crianças, o que só fez aumentar o ódio contra eles e o apoio aos talibãs.
Assim é que hoje o Talibã já domina boa parte do país. E se as forças americanas deixarem o Afeganistão, conforme é vontade do presidente Barack Obama, os milicianos rebeldes vão retomar o poder. Já que vislumbram como inevitável a volta do Talibã, os EUA tentam negociar, para ver se conseguem ao menos uma composição.