O 11 de setembro passou, felizmente, sem que nada de anormal acontecesse nos EUA. A data, porém, serviu para que, além das naturais homenagens aos mortos, os americanos fizessem uma reflexão sobre a sua situação e a do seu país.
Em termos de país, o que se estabeleceu nesse período pós 2001 foi uma estratégia da ação preventiva que passou a ser colocada em prática. Os alvos dessa ação passaram a ser os estados que, na concepção do governo Bush, tenham desenvolvido ou estejam desenvolvendo armas químicas, biológicas ou nucleares. E os alvos mais claros foram três: Iraque, Irã e Coréia do Norte, que o presidente Bush qualificou como os integrantes do “eixo do mal”. Cada um desses países mereceu uma ação específica. O Iraque foi ocupado, o Irã segue sendo ameaçado e a Coréia do Norte conseguiu tratamento diferenciado, sendo objeto de um negócio para que elimine seu poder nuclear.
Em termos de população americana, como disse o escritor Gore Vidal, o terror conseguiu acabar com o que os norte-americanos tinham de mais precioso, que era o sentimento de liberdade. Pois duas pesquisas indicaram que a maioria dos americanos dispôs-se a sacrificar algumas liberdades e direitos civis em troca de mais segurança para o combate ao terrorismo. Porém, no que toca ao apoio à guerra no Iraque e à administração Bush, houve mudança radical. Logo que foi desencadeada a ação no Iraque havia um amplo respaldo, tanto pela população como pelo Congresso. Hoje, se dão conta do fracasso da ação. Levantamento da Associated Press-Ipsus mostra que 59% dos americanos consideram um fracasso a guerra no Iraque.
Portanto, fica claro que o combate ao terrorismo é mais do que necessário. Mas fica claro também que este combate pode ter um preço alto se for objeto de falsas acusações, como as utilizadas para justificar a invasão do Iraque.