Em meio à crise internacional tem surgido, com freqüência, a pergunta sobre como ficará a situação do Brasil. Pois este futuro brasileiro depende muito da China, nosso maior comprador de commodities. Mas a julgar pela disposição dos chineses em continuar a comprar nossos produtos, a crise não nos atingirá. Basta ver o seguinte: o governo chinês decidiu construir 36 milhões de casas populares de baixo custo, destinada a absorver o processo de urbanização do país. O custo previsto para o investimento é de 700 bilhões de dólares.
Essa construção em massa representa maior demanda por minério de ferro, principal produto de nossa pauta de exportações para a China. O fato é que as nossas vendas para a China vem crescendo em volume e em valores. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que a participação no comércio com a China de 27,57% no primeiro semestre de 2010 passou para 38% nos primeiros seis meses de 2011. E o preço médio da tonelada de ferro exportada para a China saltou de 58,7 dólares para 114 dólares, ou seja, com um aumento de 94% no mesmo período.
Então, em termos de vendas não há nada com o que nos preocuparmos. Seguirão em alta. O que temos que nos preocupar é com a corrupção em nosso país. Imagine-se uma obra destas, construção de 36 milhões de casas, aqui no Brasil. O preço seria elevado ao cubo e um batalhão de exploradores estaria se beneficiando. E aí é que vem a diferença fundamental da China. Lá, quem se atreve a corromper-se é executado. E a conta da bala ainda vai para a família pagar. Imaginem se a moda pega por aqui. Iria sobrar pouca gente em Brasília.