As altas e baixas das bolsas de valores pelo mundo afora refletem os resultados das apostas que os operadores do mercado financeiro vêm fazendo, tendo como alegação o endividamento dos governos. Pois, a propósito do tema, Heiner Flassbeck, 60 anos, que foi vice-ministro das Finanças da Alemanha (1998-99) e que hoje dirige a Divisão de Globalização e Estratégias da Unctad, a Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento, tem uma opinião muito clara. Disse ele em entrevista a Folha de S. Paulo que a “Crise atual é fruto do mercado financeiro, não de governos malcomportados. O que acontece é um sucessivo estouro de bolhas, e os governos deveriam ampliar seus déficits, não cortá-los. Para isto, os políticos precisam se amancipar de Wall Street.
Flassbeck, que veio ao Brasil esta semana, defende o enxugamento do mercado. E para ativar o capitalismo, prega uma regra simples: aumento de salários. Ele disse que os economistas ortodoxos “estão ansiosos para matar matar Keynes (John Maynard) novamente. Por isto chamam a crise claramente causada pelos mercados financeiros, de crise da dívida dos governos. Não tem nada a ver com crise da dívida. Os governos pagaram alguns jogadores irresponsáveis das finanças e por isto a dívida dos governos é maior do que há cinco anos. É luta ideológica contra os governos. Nada a ver com pesquisa acadêmica séria”.
Para o economista alemão, os salários médios precisam subir conforme a produtividade da economia, pois o capitalismo não funciona sem aumento do salário dos trabalhadores.