A representação da ONU em Abuja, na Nigéria, foi alvo nesta sexta-feira de um ataque que deixou pelo menos 18 mortos. Algo que relembra o atentado no Iraque, em 2005, que vitimou o brasileiro Sérgio Bandeira de Mello. Duas organizações podem estar por trás do atentado. A Al Qaeda, que estendeu o seu braço para a África, onde tem agido fortemente, e a Boko Haram, cuja tradução quer dizer “a educação ocidental é pecaminosa”. Esta última luta para implantar a Sharia, a lei islâmica, no país. Nesta quinta-feira, em outros atentados, em uma cidade do nordeste do país, contra delegacia e banco, deixou 12 mortos.
Ocorre que a Nigéria tem uma divisão religiosa. O norte é de predominância muçulmana e o sul de cristãos. Os Estados não têm permissão para escolher uma religião. Entretanto, desde 1999, a lei islâmica, sharia, foi adotada em 12 Estados do norte. Em março do ano passado o já quase deposto líder líbio Muamar Kadafy comprou uma briga com o governo nigeriano ao sugerir a divisão do país em dois, atendendo as divisões religiosas. A Nigéria ordenou a retirada do embaixador líbio do país. Mas Kadafy queria que fosse feito algo como ocorreu quando da independência da Índia, quando acabaram surgindo dois países, a Índia com os hindus e o Paquistão com os muçulmanos. Só que, a prevalecer esta posição teríamos muitas divisões pelo mundo.
A Nigéria é um dos países mais populosos da África e sua população cresce rapidamente. Apesar da alta taxa de mortalidade infantil (a 13ª mais alta do mundo), mais de 40% dos nigerianos têm menos de 15 anos de idade. Isso porque a expectativa de vida na Nigéria é de apenas 47 anos. São faladas 521 línguas na Nigéria. O inglês é usado como idioma oficial, uma língua com a qual os diversos grupos étnicos podem se comunicar entre si. Constitucionalmente, a Nigéria é um Estado laico com liberdade religiosa. Durante quase 40 anos, o governo no norte deu tratamento preferencial a muçulmanos e discriminou os cristãos. Pouco foi feito para pôr um fim à perseguição e, como resultado, muitas igrejas foram queimadas e cristãos foram mortos. Agora, sobrou para a representação da ONU, organismo que só luta pela paz e pela assistência aos necessitados.