Há muito tempo que a Rússia deixou de ser a potência que se contrapunha aos EUA. Com a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, Moscou foi relegada a um plano secundário nas relações internacionais. Fato que se acentuou com o término da União Soviética, em 1991. Desde então quem está à frente do Kremlim tem assitido passivamente o seu oponente, em Washington, dar as cartas no jogo da política mundial. Pois, agora, Vladimir Putin resolveu reagir.
Tendo perdido toda a Europa do Leste para a União Européia ou para a OTAN, Moscou, sob o comando de Putin, se volta agora para a Ásia. A caminho da cúpula Ásia-Pacífico, na Austrália, o presidente russo parou em Jacarta, para assinar um contrato de armas no valor de US$ 1 bilhão, que inclui o fornecimento de dois submarinos à Indonésia. Antes disto, ele já tinha acertado a venda de caças Su-27 e Su-30 também para a Indonésia, mas também para Malásia e outros países da região. Com isto, a Rússia se torna o maior fornecedor de armas para a Ásia e reforça sua posição de terceiro maior vencdedor de armas do mundo, vindo atrás dos EUA e da França. Não se pode esquecer que este incremento na venda das armas russas é dado também por dois outros países de importância na região, a China e a Índia.
Tudo isto faz parte da estratégia de retomada de domínio de uma região de onde a Rússia se retirara em 1991, após o esfacelamento do império soviético. De acordo com o mais recente relatório do Centro de Pesquisas do Congresso norte-americano, a Rússia está executando um retorno firme, o que poderá ter impacot significativo sobre o ambiente estratégico do Leste Asiático e do Pacífico nas duas próximas décadas.
De acordo com Donald Greenlees, do The New York Times, “o país tem planos ambiciosos e de logo prazo para restaurar as forças de sua frota marítima no Pacífico, que foi praticamente eliminada. Assim como pretende restaurar suas unidades militares no extremo Oriente. E também passará a ocupar posição cada vez mais vital para a segurança energética da Ásia, ao passar a direcionar para lá proporção maior de suas exportações de gás e petróleo”.
Em meio a essa ação em direção à Ásia, Putin procura mostrar ao Ocidente suas pretenções bélicas. Resolveu fazer um desafio em pleno espaço aéreo da OTAN. Nesta quinta-feira, oito caças Tupolev russos realizaram vôo sobre o Mar de Berents, no norte da Noruega. Os caças russos foram interceptados por dois F-16 noruegueses e mais seis caças do Reino Unido. Diante da interceptação, os aviões russos tomaram o rumo de águas internacionais no Atlântico norte.
Autoridades tanto da Noruega como da Grã-Bretanha consideraram o caso como “algo normal”, mas que reedita a rotina da Guerra Fria. Esses vôos, chamados estratégicos, eram prática comum naquele período. Eles foram ressuscitados oficialmente pelo presidente Putin no mês passado. Em um discurso nos montes Urais, a 18 de agosto, Putin afirmou que a patrulha aérea de longa distância com bombardeiros estava sendo retomada por Moscou, pois sua interrupção após a fim da União Soviética estava afetando a segurança nacional.
O primeiro desses recentes vôos dos “ursos”, como são chamados pela OTAN os Tupolev, ocorreu no dia 9 de agosto. Naquele dia, dois aviões chegaram perto de Guan, ilha do Pacífico em que mais de 22 mil militares estavam fazendo exercícios em uma base dos EUA.
Assim é que essa política externa mais agressiva faz parte da estratégia adotada por Putin. Nela se inclui uma expedição submarina que, no início do mês passado, fincou uma bandeira russa no subsolo marítimo do Ártico, porção de território que a Rússia reivindica para si. Portanto, depois de um período de marasmo e de falta de recursos após o fim da Guerra Fria, a Rússia ressurge sob o comando de Putin e com os altos recursos que passou a auferir com o petróleo.