– j.soares@cpovo.net
No próximo domingo, dia 11, os Estados Unidos estarão lembrando os dez anos dos atentados praticados pela Al Qaeda, sob a inspiração de Osama Bin Laden, e que estabeleceram um novo marco nos conflitos internacionais, com o uso de aviões de carreira como mísseis e com todos os praticantes dos atentados se assumindo como suicidas. Até então, autores de atentados procuravam escapar com vida. Era um que outro que se entregava ao suicídio. E os aviões eram seqüestrados como fator de negociação política. Não para serem usados como arma. Portanto, Bin Laden inovou. Driblou a famosa CIA, Agência Central de Inteligência, que mostrou muita incompetência ao não detectar nenhum indício dos atentados.
Para os atos que lembrarão o 11 de setembro já há, evidentemente, todo um preparo no sentido de evitar um outro atentado de grandes proporções. Porém, cabe analisar o que os Estados Unidos fizeram ao longo desses dez anos no sentido de liquidar com o terror. Afora os rígidos controles dos aeroportos, muito pouco. Levaram quase esses dez anos para colocarem a mão sobre Bin Laden. Ele que vinha sendo caçado desde meados de setembro de 2001, quando o governo Bush decidiu atacar o Afeganistão, posto que era lá que se encontravam Bin Laden e seus asseclas da Al Qaeda, sob a proteção do nefasto e retrógrado regime do Talibã. Bush tirou o Talibã do poder, mas não pegou Bin Laden nem tampouco exterminou a Al Qaeda. Deixou o serviço incompleto, porque o seu interesse era atacar o Iraque, cujo ditador Saddam Hussein serviu de bode expiatório. Bush usou como justificativa as tais armas de destruição em massa de Saddam, que nunca existiram, para realizar um ataque que atendia os interesses das corporações do petróleo, das armas e da construção.
Resultado disto hoje! De acordo com um levantamento feito nos Estados Unidos pelo Instituto Watson de Estudos Internacionais da Brown University, morreram neste período 125 civis iraquianos e 6 mil soldados americanos. No Afeganistão o total de mortos chega a 224 mil. Sendo 4.474 soldados americanos. Os custos financeiros das duas guerras variam entre US$ 3,7 trilhões e US$ 4,4 trilhões. Este último mês de agosto foi o mais mortífero para as tropas americanas no Afeganistão, desde o início dos combates em 2001. E o que se constata é que a Al Qaeda, que antes estava só no Afeganistão, agora também atua no Iraque e no Paquistão. E o Talibã, que fora corrido do poder, se reestruturou e já ameaça retomar o poder em Cabul. Ou seja, com a invasão do Iraque – que não tinha nada a ver com o terror – e o serviço inconcluso no Afeganistão, os inimigos seguem tão ou mais atuantes do que há dez anos. Os indícios são de que no momento em que os EUA deixarem o Afeganistão o Talibã recupera o poder.
A propósito dos dez anos dos atentados, a Casa Branca distribuiu documento com diretrizes para funcionários e representações no estrangeiro. O texto diz que “a Al Qaeda e seus filiados vêm se tornando cada vez mais irrelevantes” e entende que, pelo fato de a rede terrorista não ter exercido um papel importante nos levantes da “Primavera Árabe”, isto significa que a organização “representa o passado”. Ora, como é que queriam que a rede tivesse participação na “Primavera Árabe”, se este é um movimento em busca de liberdade e de democracia, duas coisas que não tem nada a ver com o radicalismo da organização terrorista. Com o que, se deduz, que a Casa Branca segue avaliando mal o seu inimigo e as suas ações.