A guerra no Iraque está respingando no Brasil. Nosso país deve acolher nos próximos dias a primeira leva de palestinos fugidos do Iraque. Um grupo, inclusive, deverá vir para Porto Alegre. A presença de palestinos por aqui não se constitui em corpo extranho. Pelo contrário, há muito que há a presença palestina em nosso meio. Os contingentes maiores se estendem ao longo da faixa fronteiriça, desde Foz do Iguaçu, fronteira com Paraguai, passando por Uruguaiana, fronteira com Argentina, e chegando até o Chuí, fronteira com Uruguai. Aqui na região metropolitana, especialmente em Canoas, também é grande o contigente de palestinos. Esta presença de palestinos por aqui se dá pelo mesmo fato de que havia palestinos no Iraque. Assim como também há na Jordânia, no Líbano, no Egito e numa infinidade de outros países.
A origem do problema palestino não está no Iraque, que está nos mandando esses cerca de 40 refugiados. O problema está é na falta de um Estado Palestino. É lá que eles deveriam estar. E é lá que a maioria deles gostaria de estar. É claro que muitos já se aquerenciaram por aqui e não pretendem mais sair. Mas a questão crucial é o Estado Palestino. Pois este teve a oportunidade de concretizar em 1948, quando a ONU estabeleceu a partilha da Palestina histórica para ali se formar o Estado de Israel e o Estado da Palestina.
Por ver a terra em que moravam ser partilhada com os judeus, que invacaram razões históricas e bíblicas para lá retornar, os palestinos se rebelaram. Com o apoio dos países árabes da região, foram à guerra contra Israel e acabaram perdendo. Perderam também a oportunidade histórica de ter o seu Estado. Oportunidade que não foi perdida por Israel, que constituiu seu Estado, venceu a guerra e ampliou sua área territorial. Desde então os palestinos se espalharam pelo mundo e vêm reivindicando seu território.
Pois a condução dos negócios para que se chegue à formação desse Estado palestino está hoje nas mãos do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Ele foi nomeado pelo chamado quarteto negociador, formado por EUA, UE, Rússia e ONU, para conduzir a aproximação entre lideranças israelenses e palestinas para que se chegue a um acordo com vistas à existência na região de dois Estados, Israel e Palestina, convivendo com fronteiras determinadas e seguras.
Já houve uma boa aproximação entre ambas as lideranças, mas há dois enormes entraves para a conclusão do negócio. Do lado palestino, há o radical Hamas, que não aceita conviver com Israel. Do lado israelense, há a aceitação do Estado Palestino, mas não há a admissão do retorno dos refugiados. Com o que, mesmo que o Estado Palestino se concretizasse, esses palestinos que andam por aqui e pelo mundo não poderiam retornar à sua terra de origem.
Esta é a sina de uma nação que perdeu seu território, espalhou-se pelo mundo e não vê perspectiva de retorno.