A Venezuela de Hugo Chávez segue patrocinando acontecimentos que não se coadunam com os preceitos que regem a democracia. Um destes acontecimentos ficou por conta da Conatel, a Comissão Nacional de Telecomunicações, que impôs uma multa de “apenas” US$ 3,8 milhões à TV oposicionista Globovisión, pelo fato de a mesma ter feito a cobertura de um motim. Na interpretação dos juízes, a emissora fez apologia ao crime. Segundo a Conatel, a emissora exibiu mais de 300 vezes depoimentos dramáticos de familiares dos detidos do presídio de Rodeo 2, quando ali ocorreu uma rebelião. O governo perdeu o controle sobre o presídio no começo de junho e a rebelião se estendeu por um mês. A Sociedade Interamericana de Imprensa, como não poderia deixar de ser, criticou duramente a decisão da Corte, que cometeu o absurdo de condenar uma cobertura jornalística.
Outra dos juízes chavistas partiu do Tribunal Supremo de Justiça, que caçou a candidatura de Leopoldo López à presidência da República. Decisão que elimina a possibilidade do ex-prefeito de Chacao – um dos municípios que formam Caracas – a concorrer com Chávez nas eleições de 7 de outubro de 2012. De acordo com as pesquisas de opinião, López aparece em terceiro lugar. A Corte venezuelana desconsiderou inclusive uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, organismo da OEA, a qual afirmara que a inabilitação política de López fora ilegal, por se basear numa decisão administrativa, e não numa sentença judicial definitiva. O fato é que, com isto, Chávez tira do caminho um concorrente de 40 anos e de popularidade crescente.
No entanto, para suprir a lacuna, quem se articula é o ex-governador de Miranda Henrique Capriles Radonski. Ele contratou o marqueteiro brasileiro Renato Pereira, condutor das campanhas de Sérgio Cabral filho no Rio de Janeiro. Radonski, no entanto, enfrenta uma concorrência desigual. Disse ele: “A gente estreou no sábado com dois filmes de um minuto e meio. No domingo, o Chávez entrou com 30 minutos em cadeia nacional, fora os anúncios da PDVSA, Banco da Venezuela”. Segundo ele, a internet não é uma alternativa, em razão da baixa capilaridade e qualidade do serviço no país. Mas, enfim, surge um candidato da oposição.