– j.soares@cpovo.net –
Cheguei a Buenos Aires nesta quinta-feira já gozando de um benefício: o vôo da Tam desceu no Aeroparque, ou seja, no centro da cidade e não no distante aeroporto de Ezeiza. No curto caminho para o hotel, a oportunidade de observar os múltiplos luminosos com a propaganda de Cristina Kirchner. Um dos mais marcantes mostra Cristina rodeada de crianças estudantes, todas com o seu lap top na mão. Outro, mostra Cristina com uma criança no colo. Ambos reforçam o que o atual governo considera seus maiores investimentos: na educação e na saúde. Ou, na vida, como é ressaltado.
O domínio da propaganda de Cristina pelas ruas e avenidas é o reflexo do forte uso da máquina governamental. Na medida em que Cristina teve que enfrentar a forte oposição dos dois principais jornais do país, Lá Nación e Clarín, ela foi aumentando os gastos com publicidade, não só nos veículos que se tornaram aliados, como nos outros meios alternativos.
Ao consultar os jornais locais, a constatação do que já é uma tradição na Argentina: a imprensa joga um jogo político aberto. Ou seja, os veículos assumem sua posição, seja a favor ou contra o governo. Os dois jornais mais importantes do país, La Nación e Clarín, são contrários ao governo de Cristina Kirchner, contra a qual, diga-se de passagem, vêm travando uma longa batalha nos campos da política e da economia. A compensação por parte do governo tem vindo com a distribuição de polpudas verbas para outros veículos, de modo a fazerem a defesa intransigente do governo.
Apesar da forte oposição que faz, o La Nación considera que a eleição deste domingo não só dará uma fácil vitória a Cristina, como também permitirá ao governo recuperar a maioria nas duas casas do Congresso. Assim, na Câmara, o “kirchenismo” e seus aliados deverão colocar 132 cadeiras, contra 125 de seus opositores. Enquanto que no Senado colocarão 38 contra 34. A confirmar-se este triunfo, o governo colocaria, a partir de 10 de dezembro, quando assumem os novos legisladores, a maioria das presidências das principais comissões do Congresso.