O corpo de Muamar Kadafi deve ser enterrado hoje, em lugar não divulgado, na Líbia. A intenção, segundo as informações do Conselho Nacional de Transição, é evitar que o sepulcro seja conhecido e se torne um local de peregrinação. É a derradeira etapa do processo de eliminação do homem que governo a Líbia por 42 anos. É sabido que Kadafi foi um ditador, que governou com mão de ferro, que exterminou adversários e que fez tantas outras atrocidades. Mesmo assim, não se pode compactuar com a forma como foi exterminado. As imagens que diariamente tem aparecido na televisão são contundentes. Ele foi trucidado pela massa ignara. Assim como o foi o seu filho. E agora vem a informação de que foram encontrados os corpos de 53 adeptos de Kadafi, que também foram executados, nas imediações de onde o ex-líder morreu.
Teve-se, portanto, uma carnificina. O próprio comando dos rebeldes admite a morte de mais de 50 mil pessoas. E tudo isto foi feito graças à substancial ajuda fornecida pela OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, da qual fazem parte Estados Unidos e os europeus ocidentais, entre outros. Assim, todos esses governos foram coniventes com o que aconteceu na Líbia. E isto que a autorização para a Otan atuar na Líbia foi dada para que evitasse uma carnificina que, diziam, seria feita por Kadafi e suas forças. Assim, a ONU impediu a carnificina de Kadafi, mas ajudou os opositores a fazer uma carnificina ainda maior.
Mas, tudo isto estaria sendo feito em nome da Primavera Árabe, que visa levar a democracia para os países que estão depondo seus ditadores. Da para acreditar que na Tunísia, onde começou o movimento, em breve se tenha democracia. Neste domingo já foi eleita a Assembléia Constituinte. Mas na Líbia, com todo este ódio que transpareceu, não dá para acreditar. Ainda mais quando o líder do movimento rebelde declara que quer governar o país com base na Sharia, ou seja, na retrógrada lei islâmica.