À beira de se tornar mais um país a quebrar, a Espanha realiza eleições neste domingo, que devem determinar a volta da direita ao poder, através da figura de Mariano Rajoy. Um político que é dito sem carisma, mas que deve acabar com os sete anos de hegemonia dos socialistas. Estes, naufragaram com a crise, que começou em 2008 nos Estados Unidos e se estendeu como um furacão para a Europa. Assim, caíram os socialistas na Espanha, como também caíram na Grécia e em Portugal. O que permitiu a muitos dizerem que a esquerda fracassou na Europa. Mas não se pode esquecer que, no mesmo barco da quebradeira, embarcou o direitista Berlusconi da Itália. E até a poderosa Alemanha, da não menos direitista Angela Merkel, patina na Europa. O que mostra que hoje não há mais diferença entre esquerda e direita na Europa. Todos dançam a mesma música, que é ditada pelo capital financeiro internacional. Dinheiro que se move à velocidade da internet, enquanto que os governos se movem à velocidade da política.
A Europa unificou a política e com isto engessou ainda mais as decisões econômicas. Em épocas pré-euro, Espanha, Grécia, Itália ou qualquer outro dos países em crise, desvalorizaria sua moeda e o baile teria continuidade, sem quebradeiras. Pelo contrário, aumentariam suas exportações. Hoje, os governantes destes países têm que pagar um spread cada vez mais alto para financiar os seus débitos. E quem tem que tomar o amargo remédio da contenção de despesas é o cidadão comum, que perde poder aquisitivo, perde salário e, em muitos casos, até o emprego. E tudo isto ainda para os governos não alcançarem as metas de contenção de gastos traçada pela União Européia.
Inquestionavelmente, o projeto de unificação européia teve os seus méritos. Procurou acabar com as desavenças que levaram a duas guerras mundiais e, ao mesmo tempo, tornar a Europa competitiva no mundo globalizado. O problema é que não foram devidamente avaliadas as enormes diferenças entre as economias dos países membros. Diferenças que se aguçaram com a crise, a ponto de colocar em dúvida a continuidade do sistema unificado. Afinal, com parco 0,5% de crescimento neste ano, a zona do euro mostra que sentiu profundamente o golpe da crise.
E o que torna pior a situação é a forma como tentam resolver o problema, ou seja, com cortes de investimentos, de salários e de empregos. Diferentemente do que tenta fazer Obama nos EUA. Sabendo que sua reeleição em 2012 depende de sua habilidade de reduzir a taxa de desemprego, propôs estender o seguro-desemprego a um custo de US$ 49 bilhões, modernizar escolas com gasto de US$ 30 bilhões e investir mais US$ 50 bilhões em infraestrutura de transporte. A história americana mostra que, desde a Grande Depressão de 1929, o Estado se tornou o indutor da economia em tempos de crise. Quanto à Europa, parece que não restará alternativa a alguns países para sobreviverem, que não seja o abandono da zona do euro.