O Egito viveu mais um dia de protestos, com enfrentamentos e mortes. A Praça Tahrir, local que ficou marcado como o centro das manifestações que derrubaram o governo de Hosni Mubarak, volta a ser palco de protestos, agora contra a junta que governa o país. Isto porque, há eleições legislativas marcadas para o próximo dia 28, mas há sérias dúvidas quanto ao estabelecimento pleno da democracia no país. Dúvidas fundamentadas pelo documento, com 23 princípios para a nova Constituição, emitido pelos militares. Estes, se arvoram de “guardiães da legitimidade constitucional”, sugerindo que terão mais poderes do que o próprio presidente. O texto também os isenta de qualquer controle civil.
Foi com a emissão desse documento que os protestos ressurgiram no Egito. Organizações como a Irmandade Muçulmana, que vinha evitando entrar em choque com a junta, saíram às ruas para protestar. Já se falou que o modelo político da Turquia, implantado por Ataturk a partir de 1923, serviria de modelo para o Egito e outros países árabes onde ocorrem movimentos por democracia. Na Turquia os militares ficaram de guardiães da democracia, porém, sem interferir na mesma. Têm a responsabilidade de zelar pelo funcionamento das instituições, em um Estado laico. O que significa que a religião não pode interferir no processo democrático, embora a forte presença muçulmana no país. Na Turquia, o modelo tem funcionado bem, porém, no Egito, como se percebe, os militares já estão querendo extrapolar seus limites. Daí os protestos.