– j.soares@cpovo.net –
O lobby da indústria do turismo está agindo forte junto ao Congresso dos Estados Unidos no sentido de facilitar a concessão de visto para os cidadãos do Brasil e da China entrarem naquele país. E não é sem razão. Somos os dois maiores fluxos turísticos no país e, consequentemente, aqueles que lá mais deixam dinheiro. A média deixada pelo brasileiro é de quase US$ 5 mil. Para ser exato, US$ 4.925,00. Sendo que estamos à frente dos chineses, com US$ 4.540,00, vindo em terceiro lugar os japoneses, com US$ 4.290,00. Os dados são U.S. Travel Association. Uma decisão que já foi tomada é dobrar o número de funcionários dos consulados americanos no Brasil, para agilizar o processo de concessão de visto. Até porque o aumento do número de vistos para brasileiros foi de 44% no último ano.
Mais do que dobrar o número funcionários, o governo americano deveria providenciar é a descentralização da concessão de visto. Hoje, este serviço é prestado apenas em São Paulo, Rio, Brasília e Recife. O gaúcho, por exemplo, tem que agendar audiência em uma dessas cidades e se sujeitar a uma enorme espera em fila, e ainda responder a um questionário cheio de perguntas idiotas. A crise levou o governo americano a fechar o consulado em Porto Alegre, mas, será que não dava para ter pelo menos um posto para realizar os vistos por aqui? Assim como também em outras grandes capitais? Seria uma pequena consideração para o povo que mais está injetando dinheiro nos Estados Unidos.
O mais correto, no entanto, será eliminar a exigência do visto. Até porque a situação que levou à esta exigência não existe mais. A decisão fora tomada em vista do elevado número de brasileiros que ia para os Estados Unidos em busca de emprego. Hoje, os brasileiros estão voltando de lá, pois o desemprego passa dos 9%. E junto com eles estão vindo os americanos, que vislumbram as enormes possibilidades de trabalho que se abrem no Brasil, especialmente, nas áreas de informática e engenharia. Ironicamente, por outro lado, talvez seja interessante manter a reciprocidade do visto, para segurar a entrada dos americanos que aqui vêm buscar trabalho. A realidade é que a situação se inverteu. A crise está nos Estados Unidos, enquanto que o Brasil segue “bombando”.
Curioso que, em meio a esta situação, a presidente Dilma Roussef ainda vai dar ouvidos a Hugo “é culpa do ianquis” Chávez, para formação da tal de Celam, Comunidade dos Estados Latino Americanos e do Caribe. Organismo formado por todos os países da região, menos Estados Unidos e Canadá. Vai se contrapor à OEA, Organização dos Estados Americanos, onde aqueles dois países têm assento. Vai ser mais uma organização onde irá funcionar apenas a retórica, ditada por Hugo Chávez, para quem todos os problemas da América Latina e, especialmente, os da Venezuela, são culpa dos americanos. Num momento em que estamos numa situação favorável no mercado internacional para a atração de investimentos, não podemos dar ouvidos a quem manda as empresas embora de seu país. Nossa governante tem que seguir a postura dos estadistas, não dos proselitistas.